quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Netão é o líder de peso que desponta na disputa do CONACAN.

Notícias de Candelária (2)

Em março vindouro, haverá  a "eleição" para a composição da Comissão Eleitoral do CONACAN e, até dia 23, a luta dos candidatos à presidência  será grande. E a luta começou. Há três chapas disputando: Filhos de Candelária, liderados por jovens do bairro; Movimento Reviver Candelária, de Marcus Vinicius, também com muitos jovens, e - a grande surpresa de hoje - Grupo Transparência, liderado por Netão, do Bar de Neto, situado no Conacan. Netão é o novo nome que surge para encabeçar a sua chapa, cujo "eleitorado" gravita no seu estabelecimento há mais de 15 anos. Na noite de hoje, correu a notícia de que Netão e Marcus Vinicius se reuniram e conversaram muito, tendo Netão dito que não desistirá de ser o cabeça da chapa, caso se solidifique a aliança com o pessoal do Movimento Reviver. Se o Reviver não aceitar a imposição de Neto, assessorado pelo ex-padre Manoel Barbosa Lucena, então se caracterizará a cisão, favorecendo os Filhos de Candelária. E agora, José? Júnior, micro-empresário, seria o candidato de quem para comandar o CONACAN? Júnior tem apoio do grupo mas é estreante na política comunitária. O futuro é uma incógnita.
Marcus Vinicius vai continuar a luta, mas não divulga os próximos passos de sua campanha. "Quero o apoio de todos os homens de bem de Candelária", disse.



As mães e pais de todos os níveis sociais e religiosos devem ser convocados para participarem da campanha eleitoral do CONACAN, há quase 9 anos dirigido por Victor Vale.
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Hoje, 01.03.2017 , continuam duas chapas: Reviver Candelária, ainda aliada ao grupo Transparência, de João Neto Filho (não houve racha) e Filhos de Candelária.
Poderá acontecer cisões? Pode. Na política tudo é possível.
Já há vários "cabos eleitorais" pedindo votos antes do tempo. Há candidatos que não divulgaram a disposição de disputarem. Vamos aguardar .


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

"Daqui não saio, daqui ninguém me tira".

BRASIL - dw.de - 22.02.2017

Abre alas, elas querem passar

Foliãs jogam luz sobre lado obscuro da maior festa popular brasileira, num país onde mais de 60% dos homens afirmam que uma mulher que pula Carnaval sozinha não pode reclamar de assédio sexual.
Brasilien Karneval in Rio Samba Band Mulheres Rodadas (DW/C. Richardson)
O Mulheres Rodadas prepara para o seu terceiro Carnaval uma campanha de conscientização sobre assédio sexual
Ela não tinha nenhuma ginga no corpo, mas isso não impediu que Renata Rodrigues lançasse um bloco de Carnaval nas ruas do Rio de Janeiro dois anos atrás. Quando a mulher de 40 anos viu uma postagem viral no Facebook mostrando um cartaz que dizia "Eu não mereço mulher rodada", ela ironizou a mensagem ao fundar um bloco feminista chamado "Mulheres Rodadas".
A intenção é que o bloco fosse apenas uma brincadeira entre poucos amigos, mas quase uma centena de pessoas apareceu para o primeiro ensaio. Agora o bloco tem milhares de seguidores.
Neste ano, o Mulheres Rodadas está se preparando para o seu terceiro Carnaval promovendo uma campanha de conscientização sobre assédio sexual usando a hashtag #CarnavalSemAssedio. O Rio é conhecido por suas atitudes sexuais liberais, que atingem o ápice durante os desfiles de Carnaval.
 Desconhecidos se beijando pelas ruas são parte da tradição. Mas o ambiente "ninguém é de ninguém" também abre a porta para o assédio sexual desenfreado. Mulheres são apalpadas, imobilizadas pelos braços e beijadas à força.
"Em festas em que as pessoas estão nas ruas, como o Carnaval, as pessoas estão mais vulneráveis a sofrerem assédio ou estupro", afirma Renata Rodrigues.
Mas os brasileiros parecem não se preocupar muito com o problema. Uma pesquisa realizada em 2016 pelo instituto paulista Data Popular mostrou que 61% dos homens acreditam que uma mulher que vai pular o Carnaval sozinha não pode reclamar de assédio sexual, e 49% afirmaram que um bloco de Carnaval não é lugar para uma mulher decente.
"Carnaval sem assédio" tem o objetivo de conscientizar que ambas as partes em um Carnaval desinibido têm que consentir com o contato sexual. O Mulheres Rodadas espera educar os foliões de que "não" significa "não". Assim será possível ensinar os foliões sobre a se proteger e a lidar com casos de assédio.
A ideia de que o Carnaval funciona como uma grande festa democrática que reúne pessoas independente do gênero, raça ou classe acaba mascarando o racismo e sexismo profundamente enraizados. Imagens lascivas de mulheres negras vestindo nada além de penas e lantejoulas são transmitidas para o mundo todo.
Hiperssexualização e preconceito
Nas residências brasileiras, a hiperssexualização das mulheres negras era até este ano encarnada por uma mulata que escolhida anualmente para interpretar o papel de "Globeleza" – uma junção do nome da emissora de TV Globo e a palavra "beleza".
Brasilien Renata Rodrigues Gründerin des Carnival block Mulheres Rodadas (DW/C. Richardson)
Renata Rodrigues, do Mulheres Rodadas: "Nosso grupo começou como uma brincadeira, mas é muito sério"
A escolhida era sempre uma mulher negra pintada com glitter. Durante a temporada de Carnaval, a Globeleza aparecia em diversas inserções televisivas com closes que destacavam suas partes inferiores. Neste ano, a emissora anunciou que não iria mais promover uma mulata e optou por mostrar diferentes foliões – usando mais roupas.
Mas muitas das mais populares marchinhas de Carnaval ainda refletem velhas atitudes. Elas incluem letras racistas e sexistas sobre mulatas como O teu cabelo não nega.
O problema vai, porém muito além do assédio e do que ocorre no Carnaval; o Brasil tem índices de chocantes de violência sexual. De acordo com relatório de segurança pública de 2014, uma pessoa é estuprada a cada 11 minutos no país – e o número real deve ser muito maior se forem considerados os casos que não são reportados.
 O país também tem uma das mais altas taxas de homicídios contra mulheres no mundo. Ainda que o número de homicídios de mulheres brancas esteja em declínio, as estatísticas envolvendo mulheres negras dispararam.
Analba Brazão, uma ativista do SOS Corpo, uma organização feminista do Recife, afirma ser fã do Carnaval. No entanto, ela diz que a violência contra mulheres é amplificada em eventos de rua.
"As mulheres no Brasil não têm a liberdade de estar na rua. Elas ficam expostas", diz. "Nossa luta é pelo direito de pode sair em público e contar com segurança".
Antigas mazelas
Daiane Monteiro, de 29 anos, estava tomando algo em um café quando o bloco Mulheres Rodadas passou pelo local na última sexta-feira para um ensaio de pré-Carnaval. A jovem, que toca um instrumento de sinos chamado agogô em uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio, gostou da iniciativa do grupo, mas disse não achar que o assédio sexual ainda continua a ser um grande problema no Rio.
Ela apontou o crescimento da inclusão de mulheres em papéis tradicionalmente masculinos no Carnaval – por exemplo, a execução de instrumentos pesados como o surdo – como uma evolução positiva.
"Como mulheres nós temos a liberdade de exibir nossos corpos se quisermos", afirma. "Agora nós podemos até mesmo tocar em escolas de samba. No passado isso era uma atividade mais masculina."
Brasilien Karneval in Rio Samba Band Mulheres Rodadas (DW/C. Richardson)
Foliões do bloco Mulheres Rodadas no Rio de Janeiro
No entanto, Daiane Rodrigues pensa que assumir novos papéis na música não é o bastante. "Mulheres estão por toda parte nos blocos e escolas de samba, mas elas não se tornam mestres de baterias, não conduzem as bandas e não tomam decisões", conta.
Raquel Fialho, de 36 anos, vai tocar o xequerê com o Mulheres Rodadas pela primeira vez neste ano. "Eu vi eles no ano passado e fiquei encantada", afirma. "Foi algo muito poderoso, bonito e colorido".
Ela sabe que as tradições do Carnaval contam com décadas de história e que mudar as atitudes será um longo processo: "Não podemos esperar mudar as ideias em apenas alguns anos."
Muitos no Brasil também temem que direitos conquistados pelas mulheres estejam sob risco com o presidente Michel Temer, que lidera o governo mais conservador desde o fim do regime militar.
Quando Temer anunciou o seu primeiro ministério após assumir interinamente, as pastas não incluíam nenhuma mulher. Ele também aboliu o status de ministério das secretarias de Políticas para as Mulheres, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, e de Direitos Humanos. As responsabilidades das pastas passaram a ser atribuição do Ministério da Justiça.
"Nosso grupo começou como uma brincadeira, mas é na verdade muito sério", reforça Renata Rodrigues, a criadora do bloco. "O Carnaval é talvez a mais importante forma de protesto no Brasil."
Clare Richardson está no Brasil com uma bolsa  do International Reporting Project (IRP).

Getúlio faz apelo para reabertura de Central de Cidadão e solução para cirurgias eletivas

Crédito da Foto: Eduardo Maia
 
Em pronunciamento na sessão plenária desta quarta-feira (22), na Assembleia Legislativa, o deputado Getúlio Rego (DEM) fez uma série de apelos ao Governo do Estado. O parlamentar solicitou a reabertura da Central do Cidadão do município de Pau dos Ferros, no Alto Oeste potiguar, e cobrou investimentos na área da Saúde Pública Estadual.

“Aproveito a presença na Casa do governador em exercício (Fábio Dantas) para fazer um apelo ao Executivo Estadual. A Central do Cidadão de Pau dos Ferros está fechada há um ano e agora teve a luz cortada”, disse Getúlio.

De acordo com o deputado, a população pauferrense está tendo que se deslocar aos municípios de Apodi e Alexandria para usufruírem dos serviços ofertados pela Central. “As pessoas precisam recorrer às cidades vizinhas para terem seus direitos civis garantidos. Pela votação expressiva que o governador Robinson Faria obteve em Pau dos Ferros, nas eleições estaduais, o município merece um tratamento diferenciado”, falou ele.

Cirurgias

As cirurgias realizadas no Estado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) também foi tema do parlamentar mais uma vez durante seu pronunciamento. Segundo ele, os procedimentos cirúrgicos de trauma e neurocirurgia estão paralisados. “São mais de 1.500 pessoas nas filas de cirurgias de traumas emergenciais amargando em filas de espera. Quando se fala em neurocirurgia, a situação se repete. As pessoas estão tendo frustrado o direito ao atendimento, além do evidente agravamento das sequelas. Vamos somar esforços para devolver ao povo o sagrado direito à sobrevivência”, concluiu.

Em aparte, o deputado Nelter Queiroz (PMDB) relatou a sugestão que fez ao governador Robinson Faria (PSD) para reverter a situação. “Sugeri a ele que firmasse contratos emergenciais com clínicas particulares, a custos compatíveis com o SUS, para promover um mutirão de cirurgias noturnas e resolver esse passivo”, explicou Nelter atribuindo a ideia ao Prefeito de São Paulo, João Dória Júnior (PSDB).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

As últimas

Notícias de Candelária

Luiz Gonzaga Cortez - jornalista e morador de Candelária.

1 - Jovens se organizam para disputarem no próximo pleito do Conselho de Moradores de Candelária-CONACAN, que há quase 9 anos está sob direção de Victor Vale, liderado do parlamentar Jacó Jácome.
 As informações são de que há o Movimento Reviver Candelária, liderado por Marcos Vinicius; o grupo Filhos de Candelária, que se reúne na noite de hoje na casa de Zuca, dono do GG Galeteria e a aliança de Victor Vale com Nilo Caldas, ex-presidente do Conselho do Conacan.
2 - Nos últimos 12 dias foram assaltados o Bar de Cid, o cachorro quente de André, a casa lotérica, além de um roubo de carro, todos na zona sul do conjunto Candelária..
3 - O Bar de Neco continua sendo o termômetro do bairro. Os boatos são vários. Quais são? Passou um avião e não deu para ouvir.
4 - Você acredita na aliança de Victor e Nilo Caldas?
5 -  Estão comentando uma ação judicial de cobrança do IPTU de 4 apartamentos no Quatro Estações, de propriedade do CONACAN, que estaria devendo 3 anos de Iptu dos imóveis. A Prefeitura cobra 250 mil reais de Iptu .
Eu pergunto: o Conacan vai pagar? Como? Ninguém sabe , ninguém sabe de onde virá essa grana. E existe a grana? Ou tudo não passa de mais um boato?
E quando será a eleição para a direção do CONACAN? Os moradores antigos, que moram aqui desde 1975, poderão votar? Ou haverá mais brejeira?
E essa história de cadastramento ao bel prazer do dirigente do dia do Conacan?
Uma pergunta que se faz: haverá um novo tipo de golpe? hem? hem? hem?
6 - Uma filha de José Saldanha de Menezes Sobrinho, saudoso poeta popular,  sugeriu que o terreno público situado na rua Piató, fosse transformado em Praça Poeta Zé Saldanha.  Boa idéia, Neto.
7 - E Ricardo Soares vai apoiar quem para  diretor do CONACAN?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017



Mergulhador morre afogado durante pescaria no RN; corpo é resgatado

Joumar Andrade, de 28 anos, saiu para mergulhar em Muriú. 
Corpo foi encontrado nesta segunda (20) próximo ao Batente das Agulhas.

Do G1 RN

Corpo de Joumar Andrade foi resgatado nesta segunda (Foto: Arquivo Pessoal)Corpo de Joumar Andrade foi resgatado nesta segunda (Foto: Arquivo Pessoal)
O corpo do mergulhador Joumar Andrade de Macedo, de 28 anos, foi retirado do mar na manhã desta segunda-feira (20). Joumar se afogou ontem (19) à tarde enquanto pescava na companhia de um amigo no Batente das Agulhas, ponto de mergulho próximo a Muriú, no litoral do Rio Grande do Norte. Ele praticava pescaria em apneia, com arpão.
Segundo um familiar que preferiu não se identificar, o colega de pescaria relatou que Joumar foi dar um último mergulho e não voltou mais. Ele teria saído à procura do amigo, mas contou que, quando o encontrou, ele já estava inconsciente. Joumar era casado e tinha uma filha de sete meses.
Isso aconteceu ontem por volta das 14h30, em alto-mar. O Corpo de Bombeiros foi acionado entre as 16h e 17h e saiu em busca do corpo às 11h de hoje. De acordo com o subtenente Ribeiro, que acompanhou a operação, o motivo da demora foi a falta de um barco da Capitania dos Portos grande o suficiente para fazer o resgate.
Os bombeiros zarparam do Iate Clube de Natal, resgataram o corpo e voltaram para a capital pelo mar. Segundo o subtenente Ribeiro, Joumar foi encontrado 18 metros abaixo da superfície. No Batente das Agulhas, que é considerado um dos melhores pontos de mergulho do país, a profundidade máxima é de 24 metros.
O corpo de Joumar foi levado para o Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep), onde foi identificado pela família. Os peritos determinaram a causa da morte como afogamento.
Sem respiração
A pesca submarina é feita sem cilindro de oxigênio ou outro tipo de aparelho de respiração artificial, mas podem ser usadas armas, como o arpão. No Brasil, é proibido usar cilindro para a prática, que pode se tornar predatória. A pesca submarina é considerada arriscada, já que, se ficar sem oxigênio por tempo demais, o mergulhador pode desmaiar e se afog
a

Suspeitos de roubar carro fogem de abordagem da PRF na BR 101 e são presos em Parnamirim


20.02.2017
21:33 (Há 1 hora)

Os dois homens que ocupavam um Ford KA branco foram presos por uma ação da Polícia Rodoviária Federal na tarde de ontem (19) na BR-101 no trecho urbano de Parnamirim. Segundo o aposentado da PRF, o jornalista Luiz Gonzaga Cortez, que trafegava no local, o carro dos suspeitos colidiu após a perseguição da polícia por volta das quatro horas da tarde.

E de acordo com a assessoria de comunicação da PRF, os dois homens do Ford KA branco estavam armados e havia roubado um veículo em São José de Mipibu, uma Saveiro. E que o acompanhante tático foi iniciado e que depois de alguns quilômetros, já no perímetro urbano de Parnamirim, o condutor do KA perdeu o controle e colidiu na coluna de uma passarela.


“Nesse momento houve a abordagem e, após consulta aos sistemas de segurança, foi constatado que o veículo tinha queixa de roubo e que o condutor, um homem de aproximadamente 25 anos, tinha mandado de prisão em aberto por roubo majorado”, informa a assessoria.

Ainda segundo a Ascom da PRF, no interior do veículo foram encontrados também dois revólveres calibres 38 devidamente municiados. Devido ao acidente, o condutor sofreu ferimentos graves sendo necessário ser encaminhado ao Hospital Clóvis Sarino.

“Depois do atendimento, os dois foram encaminhados à Delegacia de Plantão da Zona Sul de Natal com o veículo e as armas, para as medidas cabíveis”, conclui.
Fotos exclusivas por Luiz G.Cortez

©2017 www.AssessoRN.com | Jornalista João Bosco Araújo -Twitter @AssessoRN
Nota: a foto superior não de minha autoria, mas a de baixo, sim, com os presos algemados na rodovia. a) Luiz G. Cortez.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Como funciona a engrenagem das notícias falsas no Brasil

PUBLICIDADE
RESUMO Reportagem mostra como funciona a fábrica de títulos sensacionalistas e inverdades que se disseminam nas redes sociais. Sites faturam de acordo com a audiência, que conteúdos apelativos impulsionam. Pesquisas mostram que a maioria dos leitores tem dificuldade em distinguir boatos de informações confiáveis.
*
Leticia Provedel já tinha Beto Silva entre seus contatos telefônicos e recebia dele correntes e outras bobagens que costumam circular num aplicativo de celular.
Especialista em propriedade intelectual e advogada de Gilberto Gil, ela conversara com Beto por telefone duas vezes, em 2015 e em 2016, para avisá-lo de que seria processado caso não retirasse do ar inverdades sobre o cantor publicadas no site Pensa Brasil.
Beto, dono do site, pagou para ver. Às vésperas do Natal passado, o Pensa Brasil publicou uma notícia com o título "Lula lutou muito pelo Brasil, não merecia esse juizinho fajuto, diz Gilberto Gil", ilustrada com uma foto do artista. O "juizinho fajuto", dizia o texto, era Sergio Moro.
Como jamais afirmara aquilo sobre o magistrado da Lava Jato, Gil entrou na Justiça contra o Pensa Brasil e o Facebook. Pedia a retirada imediata de todos os links e compartilhamentos da notícia falsa.
Citando decisão do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual "a internet é o espaço por excelência da liberdade, o que não significa dizer que seja um universo sem lei e infenso à responsabilidade pelos abusos que lá venham a ocorrer", o juiz Carlos Saraiva, do Rio de Janeiro, deferiu o pedido de Gil.
A liminar saiu numa sexta, 23 de dezembro de 2016. No dia seguinte, o conteúdo foi removido. Gil decidiu manter uma ação de indenização por dano moral.
Essa e outras notícias falsas sobre críticas do cantor a Sergio Moro haviam chegado ao conhecimento do juiz da Lava Jato. Quem se encarregou de desfazer a mentira foi o jornalista Jorge Bastos Moreno, amigo de Gil, ao final de um evento público com o juiz. Admirador da obra do cantor baiano, Moro gostou de saber.
Ao receber a decisão da Justiça do Rio, Beto alegou que apenas reproduzira o conteúdo de um site parceiro.
Em entrevista à Folha, o dono do Pensa Brasil deu outra versão: disse que três fontes, todas representantes de movimentos pró-impeachment de Dilma Rousseff (PT), haviam visto um show de Gil em que ele dissera a tal frase contra Moro. "Buscamos de todas as formas, mas não conseguimos um vídeo desse show."
TEIA
Alberto Júnio da Silva, 37 anos, vive em Poços de Caldas, sul de Minas, onde é conhecido como Beto Silva ou Beto Louco –o apelido, ele diz, foi dado pela "coragem de denunciar" problemas da cidade.
Beto é hoje o integrante mais ativo e barulhento de um trio que se formou em Poços e logo alçou a nível nacional o negócio do grotesco nos meios digitais. Seus sites integram uma teia de páginas que disseminam pela internet informações falsas e/ou de teor sensacionalista –uma pandemia conhecida no mundo todo sob o rótulo de "fake news" (notícias falsas) e que passou a chamar a atenção devido a sua influência em votações no Reino Unido e nos EUA, no ano passado.
Zanone Fraissat/Folhapress
Pichação do artista Cripta Djan
Luciano Vieira e Luciano Moura são os outros integrantes do trio, que se uniu no início desta década em torno da marca Pensa Poços. Criada para tratar de temas da cidade, já batizou um jornalzinho, uma webrádio e uma página no Facebook –que hoje Beto toca sozinho, após o grupo ter rachado.
Pensa Brasil, Brasil Verde e Amarelo, Diário do Brasil, Folha Digital, Juntos pelo Brasil, Jornal do País, Saúde, Vida e Família, Você Precisa Saber, Em Nome do Brasil, Folha de Minas, The News Brazil e Na Mira da Notícia são sites que estão ou estiveram recentemente no ar com características semelhantes. Foram criados por membros do trio ou por alguém próximo a ele –em alguns casos, um deles registrou o domínio e cedeu para parceiros desenvolverem os sites. Se há problemas com uma página, ela é fechada, e logo reaparece sob um novo endereço.
"É preciso talento até para criar um domínio", comenta Vieira, que tocava o Brasil Verde Amarelo até janeiro, quando, segundo conta, o Google lhe informou que ele perdera sua conta por violar políticas de conteúdo da empresa. Ele atribui o revés ao espalhafato do ex-parceiro Beto, a quem dirige termos pouco amistosos.
Vieira, que hoje vive em Lavras (MG), mantém uma página do Brasil Verde Amarelo no Facebook e está associado aos sites Jornal do País (disse que o domínio é dele, mas que amigos cuidam da página, na qual há várias postagens em seu nome) e Juntos Pelo Brasil (afirmou que não é dele, mas aparece no expediente como diretor e atende o celular registrado na página).
A reportagem não conseguiu contato com Luciano Moura. Na eleição presidencial de 2014, ele teve seus 15 minutos de fama quando a campanha de Aécio Neves, candidato pelo PSDB, acionou o Ministério Público para investigar o site Poços 10, que atacava o tucano e a família dele. Moura era um dos autores do site –que não existe mais– e fazia a página de um vereador petista da cidade.
As ações de Beto Silva e da rede de Poços de Caldas, contudo, não se guiam exclusivamente por motivos político-ideológicos. Na cidade, o Pensa Poços já atacou (e defendeu) políticos de todos os matizes. A teia abriga páginas explicitamente de direita (como era o Brasil Verde e Amarelo), outras pró-Lula e pró-PT (caso do Em Nome do Brasil) e ainda outras que atiram para todos os lados.
O Pensa Brasil, maior site de Beto, está nesse último segmento. Costuma ser rotulado como de direita e prosperou com a debacle petista, mas volta e meia ataca Aécio e o governo Temer (PMDB).
O que une esses sites é a busca por cliques. No mundo digital, clique é dinheiro. E, quanto a isso, o Pensa Brasil de Beto Silva não vai nada mal.
ANÚNCIOS
Sites lucram com a venda de anúncios. Quanto maior a audiência da página, mais ela ganhará com publicidade. Segundo a empresa comScore, que mede audiência digital, o Pensa Brasil teve em dezembro passado 701 mil visitantes únicos, com média de três páginas vistas por visita (ou seja, 2,1 milhões de páginas vistas/mês). Jornal mineiro mais acessado na web, o "Estado de Minas" teve no mesmo mês 2 milhões de visitantes únicos e 16 milhões de páginas vistas.
A comScore registra que, em março de 2016 –mês da maior manifestação pró-impeachment e da condução coercitiva do ex-presidente Lula-, o Pensa Brasil alcançou 3,2 milhões de visitantes únicos e 10,7 milhões de páginas vistas. A turbulência política de 2016, aliás, foi uma "era de ouro" da audiência digital, da qual os sites de notícias falsas se beneficiaram à larga.
Beto Silva não quis dizer quanto ganha com o Pensa Brasil. Profissionais do mercado publicitário consultados pela reportagem estimaram que os anúncios do site rendam de R$ 100 mil a R$ 150 mil por mês, dos quais até 50% ficariam com o intermediário e o restante com o dono do site.
A venda da publicidade costuma ser feita por agências especializadas ou via ferramentas como o Google AdSense, que seguem a lógica de um leilão: o site diz o preço mínimo que pretende receber por anúncio e qual modalidade prefere, sendo as mais comuns CPM (custo por mil impressões, que considera o número de visualizações) e CPC (custo por clique, em que o pagamento é calculado em cima de quantas vezes o anúncio foi clicado).
Os anunciantes definem o perfil de público que querem atingir, mas não controlam em que site a propaganda será veiculada. A audiência é o principal requisito para quem anuncia; no caso de sites de notícias, não costuma haver verificação sobre a credibilidade do veículo ou a qualidade da reportagem.
Em geral sob títulos berrantes, com notícias que embaralham verdade e mentira, o Pensa Brasil e seus similares se retroalimentam, com ajuda de páginas e perfis criados por seus donos no Facebook.
Em 6 de fevereiro, por exemplo, três dias depois da morte da ex-primeira dama Marisa Letícia, o Pensa Brasil publicou uma notícia com o título "Marisa fotografada na Itália. Morte da mulher de LULA é mentira, ENTENDA!". O texto dizia:
"Sem barreiras na internet e redes sociais, tanto notícias verdadeiras como falsas podem se espalhar rapidamente. Após a morte da esposa de Lula, Marisa Letícia, espalhou-se uma notícia de que a mesma não estaria morta (boato). Isto! Está [sic] correndo boatos de que Marisa esteja viva e foi flagrada recentemente na Itália". Em seguida, apresentavam-se detalhes da mentira, publicada dois dias antes pelo site Saúde, Vida e Família, sob o título "Marisa é fotografada na Itália e médicos contestam farsa de morte com caixão lacrado!!!". Este texto trazia o crédito "via agência de notícias".
No mesmo dia 6, logo após o Pensa Brasil publicá-la, a notícia falsa foi compartilhada no Facebook por várias das páginas ligadas a Beto Silva, por ele próprio e por perfis com indícios de serem falsos, como o de uma certa Debora Tavares Frayha, que só compartilha páginas do Pensa Brasil e é identificada como funcionária da Folha de Minas (que não existe, mas cujo domínio era de Beto Silva). E também por leitores reais.
Outros títulos publicados nas últimas semanas pelo Pensa Brasil: "Donald Trump manda recado: '-Brasileiros, a Europa não precisa de visto, vão pra lá'" (3.fev); "DEA-USA e INTERPOL 'estariam' investigando Aécio Neves por tráfico internacional de drogas" (8.jan); "Advogado que desacatou Sergio Moro pode ir preso ainda hoje junto com Lula" (13.dez). Nenhuma delas apresentava elementos factuais que comprovassem a manchete.
NY, POÇOS
A maioria dos sites sensacionalistas é registrada fora do país, não identifica os autores dos textos e não publica expediente, endereço ou telefone para contato. O Pensa Brasil segue a cartilha quase à risca. Na seção Quem Somos, diz estar registrado no Arizona (EUA), avisa que "qualquer pessoa que se sinta ofendida" deve entrar em contato por e-mail e reproduz trechos da Constituição sobre acesso à informação, resguardo do sigilo da fonte e liberdade de expressão.
Numa exceção ao jogo de sombras, há, num canto da página, sob a mensagem "Envie sua notícia por WhatsApp", um celular de Poços de Caldas. Quem atende é Beto Silva.
Na primeira ligação, logo no começo de uma conversa que se estenderia por uma hora e 40 minutos, Beto afirmou que estava em Nova York e que só voltaria ao Brasil dali a 15 dias.
Seis dias depois, sem aviso, viajei a Poços de Caldas. No térreo de um edifício de escritórios no centro da cidade, está a sala que serve de base ao Pensa Brasil e ao Pensa Poços. Beto Silva estava sentado numa mesa diante de dois grandes monitores conectados à internet. Deu-se o seguinte diálogo:
"Oi, Alberto, bom dia. Sou o Fabio, da Folha de S.Paulo, tudo bem?"
"Ôpa, tudo bem?"
"Então você já voltou de Nova York. Voltou antes."
"Voltei. Voltei... que dia é hoje mesmo?"
"Hoje é terça."
"Terça. Eu voltei no domingo. Tinha muita coisa pra resolver aqui."
Conversamos por mais uma hora e meia.
Beto Silva é magro e baixinho –tem cerca de 1,60 m. Seu rosto às vezes lembra o do cantor Chico Science (1966-1997), noutras o do ex-jogador Ronaldo Fenômeno. Estava, como sempre aparece em vídeos e fotos, de boné, corrente no pescoço e relojão dourado. Quando era mais jovem, relata, foi vocalista da banda de pagode Nascente do Samba -no Youtube, é possível vê-lo cantando e chacoalhando um afoxé. Diz ter brevê de piloto privado de monomotores.
Gesticula muito enquanto fala, volta e meia cruza os braços ou os põe para trás, segurando a cabeça com as mãos, e tem expressões faciais intensas.
Nas duas entrevistas, por telefone e ao vivo, expôs suas ideias sobre comunicação e defendeu seu método de trabalho.
"A questão é atrair, é o sensacionalismo. A mídia dos EUA e da Europa é muito sensacionalista. O problema é que, no Brasil, os pequenos sites se aventuraram a navegar pelo marketing digital para ganhar uma grana e começaram a sobressair em relação às grandes mídias, simplesmente por copiar o modelo de fazer notícia de uma forma sensacionalista", afirma.
"O que fazemos são modificações [sobre o noticiário] para tornar a notícia mais fácil e interessante", diz Beto. "Quem tem de saber o que é verdade ou mentira é quem lê a matéria."
"Acredito que a verdade não existe. Isso é o meu ponto de vista. Existe o ponto de vista da Folha, cada um tem o seu. Quantas vezes os veículos de comunicação no Brasil tiveram que se retratar? Porque não existe uma verdade absoluta (...). A não ser que vire uma ditadura, em que a grande imprensa diga o que pode ou não."
E assegura: "Todas as pessoas que procuraram o Pensa Brasil, quando a matéria não era verdadeira, nós retiramos ou nos retratamos. Aí você vai falar: 'Ah, mas depois que se publica já há um grande dano'. É, a gente corre esse risco. Todo mundo corre. Somos passíveis de erros".
"O problema vai ser de quem está me tachando de 'fake news'. Minha preocupação é com meus milhares de leitores -eles é que me dão o feedback correto."
"Tudo é business, tudo é dinheiro. Ninguém faz isso para contar historinha. Folha de S.Paulo, 'Veja', 'Globo', ninguém faz matéria porque gosta, é atrás do dinheiro que todo mundo tá correndo."
Durante as entrevistas, Beto também relativizou a verdade.
Disse que é formado em Comunicação Social/Publicidade pela Faculdade Anhanguera de Campinas e que tem pós-graduação em marketing digital pela mesma escola. Procurada, a faculdade respondeu: "Não podemos confirmar que ele tenha sido aluno da instituição, pois não encontramos o seu nome no sistema da Anhanguera".
Afirmou que o Pensa Brasil assina agências de notícias, entre as quais a Reuters e a Folhapress, do Grupo Folha, que edita a Folha. Consultada, a Reuters informou que não há entre seus assinantes ninguém com o nome dele, tampouco seu maior site ou a Artpubli Comunicação, empresa registrada em nome da mulher dele. A Folhapress afirmou que Alberto Silva chegou a assinar a agência, mas nunca pagou mensalidades, e por isso o serviço foi bloqueado.
Beto disse também que o Facebook não responde nem por 20% da audiência do Pensa Brasil. Já a empresa de medição de audiência SimilarWeb registra um peso enorme desta rede: 60% da audiência do site vem de redes sociais e, neste universo, 97% vem do Facebook.
'RECEITA DO BOLO'
Não chega a ter 10m² a sala onde fica o QG do Pensa Brasil em Poços de Caldas. Além da mesa de Beto com os monitores, há outra com três laptops. Durante a entrevista, duas jovens que trabalham com ele, ambas na faixa dos 20 anos, voltaram do almoço. Pedi para entrevistá-las, mas Beto não permitiu.
Argumentou que as moças, assim como outras duas com quem se revezam, são prestadoras de serviço e que, ademais, não poderia "dar a receita do bolo". Beto –que ressalta não ser produtor de conteúdo, mas "propagador"– diz contar com uma rede de colaboradores por todo o país.
Em sua própria cidade, Beto é capaz de enxergar a verdade absoluta. Na página do Pensa Poços, que define como um trabalho "100% de cidadania", posta vídeos com cobranças e denúncias inflamadas sobre problemas municipais. Num deles, afirmava ser "mentira deslavada" a manchete de um jornal local e acusava um vereador de "esconder a verdade do povo": era 1º de fevereiro último, mesmo dia em que Beto me disse que estava em Nova York, sendo que no vídeo ele brandia um exemplar do diário poços-caldense.
O tom estridente trouxe complicações na Justiça. Além da ação envolvendo Gilberto Gil, pelos menos outros três processos de indenização por dano moral foram abertos contra Beto Silva e parceiros –em dois deles ele já foi condenado.
"A linha de conduta dele [Beto] é complicada. Ele trabalha com o propósito de denegrir alguém para depois chantagear. Quis fazer isso comigo, tentou me extorquir, saí fora, não tenho mais relação", di
sse Paulinho Courominas, ex-prefeito de Poços (pelo PPS, hoje no PSB).
Beto nega a extorsão. Conta que, a convite de Paulinho, trabalhou na campanha estadual de Pimenta da Veiga (PSDB) ao governo de Minas em 2014 e que, por não ter sido remunerado pelo serviço, entrou com uma ação trabalhista contra o político local, mas perdeu. O ex-prefeito diz que Beto foi voluntário.
Na cidade, Paulinho é apontado como um entre vários políticos a quem o grupo do Pensa Poços já foi fiel e com quem depois rompeu.
MACEDÔNIA
De uma perspectiva global, e com alguma licença poética, poderia se dizer que Beto Silva habita uma espécie de Macedônia tropical.
Veles, uma cidade de 43 mil habitantes (Poços tem 165 mil) no pequeno país dos Balcãs, ganhou fama no ano passado com a revelação de que se tornara um bunker de sites de notícias falsas sobre as eleições dos EUA. Tocados por adolescentes em busca do dinheiro de anúncios, os sites inventaram notícias sensacionalistas (em geral pró-Donald Trump) e geraram milhões de engajamentos (soma de curtidas, compartilhamentos e comentários) no Facebook, integrando um movimento que, para muitos, teve peso relevante na vitória do republicano.
Segundo um estudo do site BuzzFeed, as 20 notícias falsas sobre a eleição americana com maior engajamento no Facebook nos três meses que antecederam a votação geraram mais engajamentos (8,7 milhões) que as 20 notícias reais com mais reações publicadas por grandes veículos (7,3 milhões).
O BuzzFeed brasileiro chegou a resultado semelhante em relação a notícias sobre a Lava Jato publicadas em 2016: as dez falsas com mais engajamento no Facebook (3,9 milhões) superaram as dez verdadeiras (2,7 milhões) –no "top ten" das notícias falsas, há quatro da turma de Poços, três das quais do finado Brasil Verde Amarelo e uma da extinta Folha Digital.
A pedido da Folha, o Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP (Universidade de São Paulo), mediu o engajamento de notícias no Facebook durante três momentos de 2016: a aprovação do impeachment de Dilma no Senado, a prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e a provação em primeiro turno da PEC 241, que fixou um teto para o crescimento dos gastos públicos federais. Os sites de notícias falsas são minoritários no ranking das com maior engajamento –das páginas da teia de Poços, só o Diário do Brasil aparece.
Pesquisa do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo mostra que cada vez mais brasileiros de grandes centros urbanos usam redes sociais como fonte de notícias: eram 47% em 2013, índice que saltou para 72% em 2016.
Nos EUA, estudos recentes relativizam a influência das "fake news" na eleição de Trump. Um deles, do centro de pesquisa NBER (Birô Nacional de Pesquisa Econômica), concluiu que as mídias sociais tiveram papel "importante, mas não determinante". Foram apontadas como fonte de informação mais importante por somente 14% dos americanos (contra 57% da TV, por exemplo).
Ainda assim, o fenômeno preocupa. "É fato que essas notícias falsas geram bastante engajamento no Facebook e que, segundo pesquisas, as pessoas estão propensas a acreditar nelas. Isso é surpreendente e constrangedor, e por isso espera-se que algo seja feito", disse à Folha Craig Silverman, editor de mídia do BuzzFeed norte-americano, estudioso do tema e autor de uma das principais reportagens sobre "os garotos da Macedônia".
Para ele, "qualquer atitude só será eficiente se atacar as vantagens financeiras de criar notícias falsas –e deve incluir as empresas que fornecem as plataformas que estão sendo usadas para criá-las e espalhá-las".
De fato, corporações digitais e empresas de mídia em todo mundo começaram a se mexer.
ENCRUZILHADA
Um dos maiores desafios do percurso, observa Silverman, é "assegurar que qualquer medida tomada para coibir notícias falsas não afete a liberdade de expressão".
É uma preocupação semelhante à de Patricia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, organização dedicada à promoção da liberdade de expressão. "Como garantir uma web livre e evitar que ela seja usada de forma criminosa é algo que temos de resolver. Mas não podemos deixar que o legislador, para proteger cidadãos, crie limites à liberdade de expressão."
Sancionado em 2014, o Marco Civil da Internet isenta de responsabilidade a empresa que abriga o conteúdo. Mas, segundo Leticia Provedel, advogada de Gilberto Gil, redes como o Facebook "têm obrigação de retirar do ar, se notificadas, a calúnia, a injúria ou a difamação, sob pena de conivência".
Vítima de notícias falsas, o jornalista e ativista Leonardo Sakamoto, da ONG Repórter Brasil e blogueiro do UOL, considera que, dada a extensão do problema, é necessária uma convenção global para regular a circulação de notícias na internet e a eventual responsabilização por excessos.
No ano passado, Sakamoto foi alvo de um texto difamatório abrigado no site de notícias falsas Folha Política (sem relação com a Folha). Segundo sugeriram documentos produzidos por ordem judicial, as empresas JBS e 4Buzz promoveram a exposição do texto por meio de anúncio pago no Google –elas negam.
Autor do livro "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (Leya), o blogueiro defende também, como solução a médio prazo, uma "alfabetização midiática": a introdução, nos ensinos fundamental e médio, de noções sobre como detectar argumentos fraudulentos.
Soa bem atual. Um estudo do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa mostrou que apenas 8% dos brasileiros em idade de trabalhar (entre 15 e 64 anos de idade) são capazes de se expressar por textos, de opinar sobre argumentos e interpretar tabelas e gráficos.
Nos EUA, pesquisa da Universidade Stanford com alunos de ensinos fundamental e médio e de faculdades revelou que a maioria é incapaz de diferenciar notícias produzidas por fontes confiáveis de anúncios e informações falsas.
O historiador norte-americano Robert Darnton, professor emérito da Universidade Harvard, diz se opor a qualquer medida que envolva censura e sugere que, "a médio ou longo prazo, isso [o consumo indiscriminado de mentiras] acaba, se autocorrige; se melhorar a política, isso melhora também".
Darnton lembra que a disseminação de notícias falsas não é novidade. Já no século 6, conta, o historiador Procópio escreveu um texto secreto, chamado Anekdota. "Ali ele espalhou fake news, arruinando a reputação do imperador Justiniano e de outros. Era bem similar ao que aconteceu na campanha eleitoral americana."
FIDELIDADE AO GRUPO
Em artigo recente, a pesquisadora americana Judith Donath, do Centro Berkman Klein para Internet & Sociedade da Universidade Harvard, escreveu que, na era das redes sociais, não se compartilha e curte notícias apenas para informar ou persuadir, mas "como um marcador de identidade, uma forma de proclamar sua afinidade com uma comunidade particular".
Interagir com uma notícia falsa, argumenta, pode enfurecer os de fora dessa comunidade, mas é um "sinal convincente de fidelidade ao seu grupo".
A psicanalista e jornalista Maria Rita Kehl lê de outro modo. "Como não sabemos o que fazer com algumas notícias que nos chocam, ética ou moralmente, passamos adiante com a sensação de estar participando, de alguma forma, da esfera pública. No fundo não é muito diferente da dona de casa que ouve uma fofoca e corre para o muro, a contar para a vizinha", afirma.
"A diferença", acrescenta, "é que o 'muro' hoje é a internet, e a fofoca que a vizinha quer passar adiante chega a milhares de pessoas. O que torna o problema mais complexo é que o mesmo dispositivo que serve para espalhar notícias falsas e arruinar a imagem de pessoas públicas, também serve para mobilizar campanhas de solidariedade, por exemplo".
FABIO VICTOR, 44, é repórter especial da Folha.
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