segunda-feira, 31 de março de 2014

Sorveteria e banca de jornais e revistas em Candelária.

Candelária tem sorveteria e banca de jornais em funcionamento. Após dez meses fechada, em virtude do proprietário ter ficado em convalescença dos ferimentos sofridos em assalto,  sr. Zequinha, reabriu a sua banca pequena sorveteria (a única do bairro), na praça Padre Antonio Vilela, ao lado da frente da Igreja Católica, onde está há mais de 10 anos. Com pintura renovada, em vermelho, ele espera retomar as atividades com novos e antigos clientes, principalmente crianças. Sr.Zequinha sofreu fraturas no fêmur e nas costelas.

A praça Padre Vilela e a rua Bento Gonçalves, centro de Candelária, tornou-se, assim, um dos locais mais badalados do bairro. Na realidade, um novo "point", como diz a galera jovem. Motivo: estão funcionando, também, na mesma área geográfica, o Seridó Lanches, de sr. Ailton dos correios (25 anos no local) e o Litoral Lanches (23 anos na área dos 28 anos de existência), ambos na rua Bento Gonçalves. Um na frente da Igreja (que cuida da vida espiritual) e os demais, na frente da escola Walfredo Gurgel, que cuida da educação e formação. Dois funcionam de dia e outro funciona à noite. 


Fotos de Luiz G. Cortez - manhã de 31.03.2014.

domingo, 30 de março de 2014

1964 - 50 anos depois.

A DEMOCRACIA ULTRAJADA
Tomislav R. Femenick – Historiador, membro da diretoria do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (*).

            Várias foram as causas que deram origem ao golpe militar de 1964. Em primeiro lugar, no Brasil de então o conceito de democracia era muito propalado e pouco praticado por todas as correntes políticas. No meio militar ainda pontificavam as lideranças do movimento tenentista nascido nos anos 1920, quando oficiais de patentes inferiores lutaram pela derrubada do governo; alguns integrantes do governo Goulart propunham o fechamento do Congresso Nacional; as esquerdas sonhavam com a ditadura do proletariado; em várias ocasiões líderes dos grandes partidos (UND, PSD e até do PTB) se posicionaram pela derrubada de governos eleitos constitucionalmente. Talvez a exceção tenha sido Juscelino Kubitschek.

O despontar da crise

O começo da crise que gerou o golpe militar deu-se no dia 25 de agosto de 1961, quando o presidente Jânio Quadros enviou mais um dos seus bilhetes. Dessa vez ao Parlamento Brasileiro, muito embora que em forma de ofício: “Ao Congresso Nacional. Neste dia, e por esse instrumento, deixando com o Ministro da Justiça as razões do meu ato, renuncio ao mandato de Presidente da República. A) J. Quadros. Brasília, 25.08.61”.
De pronto, o Congresso aceitou a renuncia. Como o vice-presidente João Goulart estava na China, presidindo uma comitiva que estava em visita oficial àquele país, a Presidência da Republica foi ocupada, provisoriamente, pelo presidente do Congresso, o deputado federal Ranieri Mazzili. Essa medida, obviamente, tinha caráter provisório. Todavia, mesmo obedecendo aos procedimentos legais para o caso, foi o instrumento usado para que houvesse tempo necessário para se encontrar uma solução para o problema. Isso porque havia um prenúncio, um prognóstico de choques, se não de luta, vistos que nas Forças Armadas duas correntes se posicionavam em lados contrários.
Havia entre os militares um movimento contrário ao vice-presidente João Goulart e, consequentemente, contra a sua investidura no posto máximo de comando da nação. Esse movimento tinha livre trânsito nos ministérios da Guerra, Marinha e Aeronáutica. Por isso queriam que o Congresso decretasse um impeachment para Jango. Outros militares, estes legalistas, defendia a posse do vice-presidente no cargo de Presidente da República tão logo regressasse ao país – até participaram da chamada “cadeia da legalidade”. O marechal Henrique Teixeira Lott (ex-ministro da Guerra, no governo de Juscelino) se declarou ao lado de Jango e foi preso, fato que levou outros militares a se posicionarem também pela sucessão prevista na Constituição.
            Esse ambiente de pré-conflagração foi confirmado pelo presidente provisório, deputado Ranieri Mazzilli, em mensagem dirigida ao presidente do Senado, senador Auro de Moura Andrade, três dias após a renúncia de Jânio: “na apreciação da atual situação política, criada pela renuncia do Presidente Jânio Quadros, os Ministros Militares, na qualidade de chefes das Forças Armadas, responsáveis pela ordem interna, manifestaram a absoluta inconveniência, de motivo de segurança nacional, do regresso ao país, do Vice-Presidente da República João Belchior Marques Goulart”.

O Brasil parlamentarista

Pressionado pelos acontecimentos e pela possibilidade de uma guerra civil, o Congresso aprovou uma emenda constitucional, instituindo o parlamentarismo no Brasil, regime que reduz em muito o poder do Presidente da República. A Constituição foi emendada e, no dia 7 de setembro de 1961, João Goulart assumiu o posto de Presidente constitucional do Brasil, com mandato previsto para até 31 de janeiro de 1966. Seu Primeiro Ministro era Tancredo Neves.
A emenda constitucional do parlamentarismo continha, também, a determinação para que fosse realizado um plebiscito, mesmo depois de alterado o regime, oportunidade em que os eleitores deveriam opinar sobre suas preferências com relação à forma de governo para o país; se presidencialista, o sistema anterior, ou parlamentarista, o sistema vigente. O plebiscito foi realizado em janeiro de 1963, ocasião em que o povo escolheu a volta do presidencialismo – quase nove milhões e meios de votos para o presidencialismo, contra menos de dois milhões e 100 mil para o parlamentarismo. Jango, então, obtém plenos poderes, aqueles que lhe foram dados pelo povo, na eleição e no plebiscito.

O Brasil volta à crise

Se antes de assumir a presidência João Goulart já imprimia medo nos meios conservadores, principalmente entre os militares e parte do empresariado, a sua atuação como Presidente – tanto no sistema Parlamentarista como Presidencialista – agravou esse medo. Suas promessas de reforma agrária, fiscal, política e universitária iam muito além do que a elite do país poderia suportar. Mesmo que sua intenção fosse tão somente modernizar as estruturas políticas e socioeconômicas do país, como meio de vencer o subdesenvolvimento e os problemas da inflação e pobreza. Sua aproximação com alguns movimentos de esquerda desgastou mais ainda sua imagem junto aos conservadores de centro e de direita, que o atacaram denominando-o de subversivo.
Alguns segmentos da esquerda também questionavam as tendências do governo Goulart. Segundo Francisco Iglécias (1993): “A esquerda reclama cada vez mais, julga-o comprometido com o imperialismo e o latifúndio, enquanto o centro e a direita o atacam como subversivo. As greves se sucedem, há generalizada desconfiança, com acusações de golpismo, da esquerda à direita, da direita à esquerda [...]. Os políticos, convencionais ou centristas, o recusam por motivos óbvios; as organizações populares também, pelo temor de ser usado contra elas”.
As divergências entre Brizola e Jango eram exemplos da queda de braço que o presidente mantinha com a ala mais radial da esquerda, que acusavam seu governo de fazer composição com setores conservadores e imperialistas. As negociações para a estatização das instalações da American and Foreign Power Co. (AMFORP) – uma empresa controlada pela Eletric Bond and Share – por US$ 135 milhões, acirraram as divergências, pois essa esquerda considerava que o valor negociado era exorbitante. Leonel Brizola, deputado federal, ex-governador gaúcho e cunhado de Jango acusou os ministros da Guerra, da Fazenda e da Indústria e Comércio de “traidores dos interesses nacionais” e, liderando as forças nacionalistas de esquerda, ameaçou romper com o governo se as negociações com o grupo norte-americano fossem levadas à frente. 
O Rio Grande do Norte também foi palco de batalha entre as forças ditas desenvolvimentistas e nacionalistas, travadas durante o governo de João Goulart. Quando candidato a governador, Aluízio Alves, líder udenista que terminou se elegendo pelo rival PSD, apresentou uma proposta de desenvolvimento econômico para o Estado; essas foram consideradas inexequíveis, pois faltavam recursos.
Aluízio foi busca-los no programa Aliança para o Progresso, um plano de ajuda econômica e social do governo dos Estados Unidos para a América Latina, com investimentos de 20 bilhões de dólares, oriundos de diversas organizações internacionais, inclusive alguns países europeus e empresas privadas. Moniz Bandeira (1999) afirma que o programa norte-americano defendia a reforma tributária, a reforma agrária e a estabilização dos preços dos principais produtos de exportação, ao mesmo tempo em que visava estimular as empresas privadas dos Estados Unidos a investirem mais nos países da América Latina e a mergulharem em suas economias, associadas aos capitais nacionais. O corolário político do programa de Kennedy seria, por conseguinte, o ‘apoio inequívoco à democracia’, principalmente à ‘democracia progressista’ ou esquerda democrática”.
A Aliança para o Progresso talvez tenha sido o projeto mais arrojado da política externa dos Estados Unidos, depois do Plano Marshall, seu principal instrumento para a reconstrução da Europa Ocidental, nos anos seguintes que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, quando cerca de US$ 13 bilhões foram gastos como assistência técnica e econômica — valor que hoje equivaleria a algo em torno de US$ 130 bilhões.
O Rio Grande do Norte foi grandemente beneficiado pelos recursos da Aliança. O Estado recebeu recursos financeiros e equipamentos que foram direcionados ao ensino públicos, ao abastecimento de água e aos serviços de eletricidade e telefonia. Entretanto, as correntes da esquerda mais radical ficaram contra a entrada desses recursos para o Estado e fizeram estardalhaço. No dia 5 de maio de 1963, enquanto o governador Aluízio Alves oferecia um banquete ao embaixador norte-americano Lincoln Gordon, que contava com a presença do General Antonio Carlos Muricy, comandante da 7ª. Divisão de Infantaria, sediada em Natal, o deputado federal Leonel Brizola atacou frontalmente a ambos, em um comício organizado pela Frente Nacionalista do Rio Grande do Norte, tendo à frente o prefeito Djalma Maranhão.
Segundo Hélio Silva (1975), Brizola atacou o General Muricy nos seguintes termos: “Acusou-o de gorila e golpista [...]. Faz apelos para que os soldados do Exército, Marinha e Aeronáutica pegassem em armas, em defesa das reformas de base. Declarou ser necessário ‘colocar mais fogo na fogueira e aumentar a pressão contra o Congresso para conseguir a aprovação das reformas indispensáveis à vida brasileira’ [...]. E Brizola disse mais que apresentaria ao Presidente da República uma ‘representação contra o Embaixador Gordon’, considerando-o persona non grata ao governo brasileiro, pois agia em nosso País, com ‘autentico inspetor de colônia’. Também atacou a Aliança para o Progresso e concitou o povo a expulsar do País os ‘agentes do imperialismo ianque’ [...]. Na manhã seguinte, às 11 horas, o Comandante da Guarnição Militar recebeu uma manifestação de desagravo por parte de todos os oficiais das três armas sediadas em Natal. Compareceram também sargentos, suboficiais e entidades civis [...]. O episódio de Natal, entretanto, serviu como um teste. A oficialidade brasileira podia ser unida”.
Esse clima de confronto ideológico, as greves meramente políticas que paralisavam o transporte urbano e interurbano, os bancos, o comércio, a indústria, bem como as greves estudantis, criaram um cenário de falta de poder. Em julho e setembro de 1962 tinham acontecido duas greves gerais, com saques às lojas e morte de quase 50 pessoas, além de ferimentos em cerca de 500. A partir daí a oposição passou a considerar os movimentos paredistas como instrumento de pressão usado pelo governo.
O dia 13 de março de 1964, uma sexta-feira, marca o começo do fim do governo Goulart. Em um grande comício, realizado na praça em frente à Central do Brasil, no Rio de Janeiro, que reuniu cerca de 250.000 pessoas, Jango assumiu suas aliança com as lideranças sindicais e de esquerda. Novamente Brizola fez um dos seus discursos radicais, talvez o mais radical de todos eles: “Os discursos começaram às cinco horas da tarde. Um dos mais inflamados foi o de Leonel Brizola, que dramaticamente apelou para que se fechasse o Congresso e para que se efetuasse um plebiscito para se instalar uma Assembleia Constituinte com o propósito de criar um congresso popular, constituído de trabalhadores, camponeses, sargentos, oficiais nacionalistas e autênticos homens do povo” (PARKER, 1977 – grifo nosso).

A participação do presidente no comício foi mais prática e menos inflamada. Em praça pública assinou dois decretos. Um estatizando as refinarias Capuava, Ipiranga, Manguinhos, Amazonas e Rio-Grandense, anexando-as à Petrobrás; outro declarando que estavas sujeitas à desapropriação as faixas de terra de dez quilômetros ao longo das rodovias e ferrovias federais, bem como as propriedades de mais de trinta hectares, localizadas nas bacias dos açudes públicos federais. No seu pronunciamento, anunciou um decreto para o controle dos aluguéis e que encaminharia ao Congresso mensagem propondo as reformas tributária e universitária e o direito de voto para os analfabetos e pracinhas. 
O presidente João Goulart encerrou suas palavras dizendo: “Sei das reações nos esperam, mas estou tranquilo, acima de tudo porque sei que o povo brasileiro já está amadurecido, já tem consciência da sua força e da sua unidade, e não faltará com o seu apoio às medidas de sentido popular e nacionalista [...]. Hoje, com o alto testemunho da Nação e com a solidariedade do povo, reunido na praça que só ao povo pertence, o Governo, que é também o povo e que também só ao povo pertence, reafirma os seus propósitos inabaláveis de lutas com todas suas forças pela reforma da sociedade brasileira”.
No dia 24, marinheiros e fuzileiros navais se reúnem no Sindicato dos Metalúrgicos e apresentam uma série de reivindicação ao Ministério da Marinha, fato este considerado indisciplina e quebra da hierarquia. O Ministro da Marinha, Almirante Silvio Frota, decretou a prisão dos organizadores da solenidade. Todavia, o contingente de fuzileiros navais incumbido de executar a ordem de prisão adere à rebelião. Diante da gravidade da situação, o ministro apresenta sua demissão, que é aceita pelo presidente. Jango intervém e medeia uma solução: os marinheiro e fuzileiros rebelados seriam mandados para um quartel do Exército, onde ficariam presos, aguardando a abertura de um inquérito para apurar os acontecimentos.
Depois de detidos por algumas horas, os marinheiros foram libertados e saíram em passeata até o Ministério da Marinha, onde se concentram. Era a intensificação da crise militar do governo Jango, que se agravou mais ainda com a presença do presidente em uma reunião convocada para comemorar o aniversário da Associação dos Suboficiais e Sargentos da Policia Militar da Guanabara. Nada disso era do contento das Forças Armadas.

A ditadura senta praça

As forças de reação a Goulart também estavam se mobilizando, só que em duas frentes: uma civil e outra militar. Seis dias depois do comício do Rio, houve em São Paulo a “Marcha com Deus pela Liberdade”, organizada por setores da igreja católica, pelo governo do Estado, Sociedade Rural Brasileira, União Cívica Feminina e por quase todas as forças contrárias à política do governo federal. Como que abstraído ou desinformado do que se passava em seu entorno, no dia 30 de março o presidente comparece àquela Assembleia de suboficiais e sargentos do Estado da Guanabara, onde faz um discurso de improviso acusando a oposição, se defendendo dos supostos propósitos ilegais e se dizendo preparado para enfrentar qualquer quebra da ordem constitucional. Naquele mesmo instante, os militares se preparavam para o golpe.
A radicalização das posições de esquerda e de direita no início de 1964 terminou por provocar a arregimentação de tropas militares. Primeiro em Minas Gerais, no dia 31 de março, sob o comando do general Olímpio Mourão Filho, que teria se antecipado a um melhor momento, pois se aposentaria no dia 9 de maio seguinte. Não houve resistência. Pelo contrário, vários comandos militares regionais aderiram à sublevação. No dia 1º de abril, a facção das Forças Armadas contrária à tendência esquerdizante do governo de Jango tomou o poder. O presidente foi para Brasília para tentar organizar as forças que o apoiavam, porém não encontrou apoio para reagir ao golpe. Foi para o Rio Grande do Sul e, depois, pediu asilo político ao Uruguai. Era o fim de uma era e o princípio de outra; o período dos presidentes militares, de início veladamente autoritário, depois declaradamente ditatorial e antidemocrático.
  A Presidência da República foi declarada vaga e Ranieri Mazzilli mais uma vez assumiu o cargo em caráter interino, enquanto o autointitulado Comando Supremo da Revolução estruturava o novo governo. No dia 2 de março, os Estados Unidos reconheceram o “governo revolucionário”. A junta militar editou um Ato Institucional no dia 9 de abril que dava ao governo militar o poder de alterar a Constituição, cassar mandatos legislativos, suspender direitos políticos por até dez anos, demitir funcionários públicos e de empresas controladas pelo governo, colocar em disponibilidade ou aposentar compulsoriamente qualquer pessoa que tivesse atentado contra a segurança do país, o regime democrático e a probidade da administração pública. Determinava, ainda, eleições indiretas para a presidência da República. Sua vigência expiraria no dia 31 de janeiro de 1966.
O presidente, escolhido pelos militares e eleito em apenas dois dias, foi o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Foi eleito no dia 11 e tomou posse no dia 15 de abril. Uma das suas primeiras medidas, sob o eufemismo do “saneamento político”, foi a cassação dos direitos políticos de 378 pessoas, entre os quais três ex-presidentes da República (Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart), seis governadores e 55 integrantes do Congresso Nacional. Por conta de um “saneamento moral e administrativo”, dez mil funcionários públicos foram demitidos e abertos processos de investigação contra cerca de quarenta mil outras pessoas. O ano seguinte, em 1965, marca o fim dos parcos poderes que os civis tinham na administração no governo militar. A eleição dos governadores dos Estados foi truncada pela intervenção do poder militar e a ala dura assume de vez o poder público do país.
A democracia foi retirada de cena e subiram ao palco os anos de chumbo, uma mancha negra na história do país. Cerceamento da liberdade, prisões, torturas e assassinatos, nos porões do governo. Sequestros, assaltos, guerrilhas inconsequentes e também mortes, nas resistências extremadas à ditadura. Todos nós perdemos, pois ninguém ganhou.
_____

(*) Por causa de suas matérias publicadas na imprensa regional e nacional, Tomislav R. Femenick foi chamado várias vezes ao comando da 4º Exército, no Recife, para “prestar esclarecimentos”. Pelo mesmo motivo, perdeu o registro de jornalista, na Delegacia Regional do Trabalho de Natal. Coagido no desempenho de suas funções do Banco do Nordeste, onde era funcionário concursado e com estabilidade (mais de dez anos e não optante pelo FGTS), foi levado a pedir demissão.


Tribuna do Norte. Natal, 30 mar 2014.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Bunda é cultura.Duvida? Então, leia o que se segue.

É Cultura ! 

Os responsáveis pela bunda são os africanos. Mais especificamente, as angolanas e as cabo-verdianas. Foram elas que, ao chegar ao Brasil, durante as trevas da escravatura, revolucionaram tudo o que se sabia sobre bunda, até então.
Na época, a palavra bunda não existia. Os portugueses, quando queriam falar a respeito das nádegas diziam exatamente isto: nádegas ou região glútea.

Os escravos chegaram ao Brasil e não eram conhecidos como angolanos nem cabo-verdianos.
Eram os “bantos”, chamados bundos, e falavam o idioma "ambundo", ou "quimbundo" a língua bunda.
Os bundos, em especial as mulheres bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada, globosa.

 Os portugueses logo deitaram olhares para as nádegas das mulheres bundas. Quando alguma delas passava diante de um grupo de portugueses, vinham logo os comentários: “Que bunda!” (referindo-se à africana, não à bunda da africana). Em pouco tempo, a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinônimo de nádegas. E assim nasceu a bunda moderna.
COMO SE VÊ, BUNDA TAMBÉM É CULTURA!

 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Base Comunitária da PM tem rádio e telefone.



A Base Comunitária da Polícia Militar em Candelária está recebendo melhorias e condições de conforto para os PMs que se dedicam a atividades de apoio à segurança do bairro. Desde ontem, a Base está equipada com um rádio de comunicação, fornecido pelo Comando Geral da PM, providenciada a limpeza e reparadas as infiltrações no telhado (na semana passada, praticamente choveu dentro do prédio) e  a direção do CONACAN prometeu colaborar com a sua manutenção, por exigências dos moradores da rua Ana Angelina de Macedo, que fez uma abaixo-assinado.Novos colchões e lençóis foram solicitados ao CONACAN na lista remetida a Victor Vale. Os moradores também vão angariar fundos para aquisições de utensílios e material de limpeza que, desta vez, será feita uma vez por semana. Também está sendo solicitada uma academia de ginástica para a Terceira Idade, com apoio do CONACAN, um vereador e um deputado, que poderá ser instalada na praça Padre Antonio Vilela Dantas, ao lado da Igreja Católica.
A Base comunitária tem telefone funcionando desde ontem: 3232.7116. O Orelhão defronte à Base é 3206.4503.
A Comunidade agradece ao comando do 5º Batalhão e ao Comando Geral da PM.
Casa Lotérica.
Já está funcionando uma nova Casa Lotérica em Candelária, ao lado do Bolo do Orlando, na esquina avenida Prudente de Morais com a Praça Souza Silva, com duas funcionárias estão atendendo aos clientes. Há uma caixa só para atender idosos. Portanto, acabou-se o monopólio da lotérica  que funciona ao lado da Farmácia Popular, local anteriormente ocupado pela Drogaria Globo.

 Uma paisagista estará amanhã nesta àrea, amanhã, 21, para projetar o ajardinamento do canteiro central da rua Bento Gonçalves e da praça situada na frente da Escola Estadual Walfredo Gurgel, atrás da parada de ônibus. A paisagista, convidada pelo CONACAN, segundo informou a moradora Mirianeide de Melo, para desenhar as mudanças no visual da praça.


sexta-feira, 14 de março de 2014

Comer carne de jumento agora é chique!

Com popularização das motos, abandono de animais se tornou problema.
Promotor no RN diz que carne é saudável e segue normas sanitárias.

Churrasqueiro realiza o corte da carne de jumento para servir (Foto: Marcelino Neto/G1)Churrasqueiro realiza o corte da carne de jumento para servir (Foto: Marcelino Neto/G1)
Filé ao molho madeira, filé ao molho branco, escondidinho de carne e churrasco. Esses foram os pratos servidos aos convidados para um almoço de degustação de carne de jumento promovido pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte no município de Apodi, região Oeste do estado, nesta quinta-feira (13). Os animais que foram abatidos e servidos no almoço foram apreendidos nas rodovias que cortam o RN. A ideia foi do promotor da comarca de Apodi, Sílvio Brito. Ele explicou que destinar a carne de jumento para consumo humano pode ser a forma de tirar esses animais das rodovias.
“O jumento era um objeto de trabalho, mas tornou-se obsoleto com o uso de motos e tratores. É incalculável o número de animais abandonados por causa desse desinteresse e esses animais estão soltos nas rodovias causando acidentes”, afirmou o promotor de Justiça Sílvio Brito, que defende a ideia de que os jumentos apreendidos nas estradas do RN sejam abatidos e incluídos no cardápio da alimentação de detentos do sistema penitenciário do estado. Segundo a PRF, de 2012 até o dia 10 de março deste ano foram apreendidos 3.354 animais nas estradas que cortam o RN - a maioria era jumentos.
A degustação foi sugerida pelo promotor de Justiça Sílvio Brito. Os convidados para o almoço aprovaram o cardápio. “É muito saborosa. É um pouquinho mais dura que a carne de vaca, mas é gostosa. Vou colocar no cardápio de casa”, disse o professor Pedro Filho, de 44 anos. Ao todo, foram servidos cerca de 100 quilos de carne de jumento aos convidados.
Convidados do almoço começam a se servir com a carne de jumento (Foto: Marcelino Neto/G1)Convidados do almoço começam a se servir com a
carne de jumento (Foto: Marcelino Neto/G1)
Todos os pratos servidos foram preparados pelo empresário Humberto Gurgel Pinto, dono do restaurante onde foi servido o banquete. "O preparo da carne de jumento é praticamente igual ao da carne bovina. São muito parecidas. Não encontrei dificuldade alguma. E mais importante: o pessoal aqui gostou muito, superando nossas expectativas", disse.
O secretário estadual de Agricultura, Tarcísio Dantas, esteve na degustação, provou a carne de jumento e também gostou. “O sabor é agradável, a carne é macia, muito boa”, disse. Dantas afirmou que a Secretaria não vê nenhum problema no consumo da carne de jumento e colocou a secretaria à disposição para encontrar alternativas em relação ao confinamento e abate dos bichos.
Promotor Sílvio Brito propôs a adoção da carne de jumento, nos cardápios dos detentos do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte (Foto: Marcelino Neto/G1)Promotor Sílvio Brito propôs o banquete
(Foto: Marcelino Neto/G1)
De acordo com o promotor Sílvio Brito, os animais servido na degustação foram vermifugados, se alimentaram exclusivamente de ração há pelo menos 4 meses, e eram monitorados por veterinários. “É uma carne segura. Nós não estamos apreendendo o animal e levando para a panela, há uma preocupação com os cumprimentos das normas dos Ministérios da Saúde e da Agricultura”, assegurou.
Os 100 quilos de carne servidos são provenientes de dois jumentos abatidos na quarta-feira (12) no matadouro público de Apodi. Os animais estavam em uma fazenda na cidade vizinha de Felipe Guerra. Os cortes usados no almoço foram picanha, maminha e colchão mole. Segundo o empresário que elaborou os pratos, os nomes dos cortes de carne de jumento são os mesmos da carne bovina.
Fonte: Assessorn.com

quarta-feira, 12 de março de 2014

E os assaltos continuam em Candelária.

Há um mês, na rua Marquês de Pombal, houve um assalto na frente do bar Cabeça do Bode, quando três assaltantes levaram jóias e dinheiro de um cliente que se dirigia ao boteco. Na  6ª feira passada, na esquina da rua Raposo Câmara com a Marquês de Pombal, às 5 horas da tarde, uma jovem senhora, Fa...., foi atacada por dois pivetes que pilotavam duas motocicletas, que pediram a bolsa-sacola. Ela agarrou a sacola no tórax e disse que não dava e gritou. As moças de um salão de manicure ouviram os gritos e correram para a calçada, botando os ladrões em fuga.
Às 19 h  de ontem,  um casal de malandros, morenos, magros, baixos e andando devagar, desceram a rua Marquês de Pombal, a partir da esquina, e tomaram de assalto um carro que acabava de estacionar na casa do pedreiro conhecido por "Governo". Houve a participação de um terceiro ladrão da gangue.A placa não foi anotada, mas informaram que seria um Renault de cor prata. O condutor do carro foi ameaçado pelo assaltante armado com revólver, enquanto a ladra assumiu o volante do carro, acelerou forte, estancou e disparou, isto é, desembestou à praça da Juventude. Ninguém ouviu nenhum ruído ou grito durante o assalto.A vítima (genro de dona Antonia, esposa de "Governo") não deu um pio e entrou na casa de "Governo", em silêncio, após a porta de rolo ser aberta para ele entrar( no local funciona a oficina de costuras). O ladrão arrancou o carro em alta velocidade, descendo a rua e entrando à esquerda, pegando a rua Henrique de Coimbra e sumiu das vistas. Para onde?
Só se sabe que, após a vítima do assalto, entrar na casa que lhe abrigou, ter fechado o contacto com o mundo exterior, as luzes apagadas e fim. Ficou tudo em família. "Governo" e dona Antonia formam o casal paciência,não esquentam a cabeça.
Não apareceu nenhum motoqueiro peba para perguntar alguma coisa para saírem espalhando em Candelária.
Na semana passada, um filho de sr. Assi Cachina, eletricista, perdeu a camioneta e todas as suas ferramentas para um assaltante. Local: praça situada atrás da igreja católica. Hora: 11 horas. Paradeiro do veículo: nenhum.



terça-feira, 11 de março de 2014

Búzios, no litoral sul, foi porto importante no Rio Grande do Norte.

terça-feira, 11 de março de 2014


João de Barros, Pirangi e o Porto de Búzios, 1564


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Muitos documentos escritos, da História do nosso Brasil, encontram-se submersos em vários arquivos públicos ou privados, daqui e d’além mar. Encontro no nosso IHGRN um livreto, de apenas 30 páginas, de autoria do historiador natalense, Guarino Alves, com o título: Capitanias Hereditárias ou dissertações sintéticas de um historio-geógrafo, editado em Fortaleza. Traz informações muitas ricas para a História do Rio Grande do Norte. Entre outras obras desse autor, cito: Pequena história do Cabo de São Roque; Origem do nome histórico “Ponta do Mel”; João Rodrigues Colaço; O Verde Potengi e Designação amerígena da Ponta do Calcanhar.

Nesse livreto, um dos títulos é: Considerações sobre o Porto dos Búzios que transcrevo para cá:

Escritores cearenses trouxeram à baila a ideia de uma fronteira na capitania dos Potiguares pela ponta dos Búzios. O Sr. Thomaz Pompeu Sobrinho, por exemplo, diz, a propósito, o seguinte:

“Num documento curioso, “certidão referente a uma questão de limites da capitania de João de Barros”, de 3 de março de 1564, publicado por Antonio Baião, em 1917, verifica-se que o ponto lindeiro entre a capitania do feitor da casa da Índia, e a de Itamaracá não era a baía da Traição e nem o lugar dado por Gabriel Soares, porém uma ponta de terra que devia passar obra de meia légua do porto dos Búzios, o qual ancoradouro fica na barra do rio que os potiguares chamavam Pyramgipepe, segundo o mencionado documento, isto é, Pirangi. Realmente, deste ponto as 100 léguas vão terminar na enseada da Curimicoara, a Angra dos Negros dos antigos mapas.”

A questão de limites surgiu em consequência de o capitão de Itamaracá, João Gonçalves, haver explorado, sem mandado de ninguém, a costa vizinha à de Dona Isabel Gambôa, sucessora de Pero Lopes de Sousa. Houve protesto de Antonio Pinheiro, Procurador de João de Barros, na Vila dos Cosmes de Igaraçu, no dia 3 de março de 1564:

...”ho dito porto dos Búzios que pela língua dos imdios se chama Piramgypepe está fora da demarcação de dona Isabel e está na capitania e terra do dito seu constituinte he e seu he estaa de posse delle de muitos hanos há esta parte e como tal lho teve arremdado por certos hanos a Martim Ferreira de São Vicente e que ho houve de Pero de Goes comprado e que sempre ho dito seu constituinte deu licenças pera o dito porto em seus procuradores nesta terra arrendarem por as ditas licenças em dinheiro e escravos e em búzios.”

Conseguintemente, o protesto por si já mostra o direito de João de Barros.

Desde quando se explorava o Porto dos Búzios?

No dia 3 de março de 1564, Antonio Pinheiro, Procurador daquele muito distinto e erudito fidalgo, arrolou quatro testemunhas, Manoel Fernandes, Fernão d’Holanda, Gonçalo e Bartolomeu Royz, e a 4, as inquiriu Manuel Pereira, em presença do Juiz Ordinário, João Fernandes. Ficou esclarecido que o Porto pertencera a Pero de Góis, fora arrendado depois a Martim Ferreira, e que ali se coletava búzios desde aproximadamente vinte anos: “ave rahobra de vinte anos pouco mais ou menos”, disse perante o Juiz a testemunha Bartolomeu Rodrigues.

Segundo o depoimento de Manoel Fernandes, o fidalgo Pero de Góis “vendera o porto dos búzios que era seu com dez léguas de costa ao dito João de Barros, feitor da Casa da Índia, dizendo que lhas dera por quinhentos cruzados.”

Ignora-se a data dessa transação, mas é posterior à da donatária de Barros. Significa que Pêro de Góis já era dono do lugar muito antes da Carta de doação ao Feitor da Casa da Índia. E sendo assim, pergunta-se: em que ano adquiriu Pero de Góis as dez léguas de costa? Ninguém sabe, e no entanto há uma passagem em Frei Vicente do Salvador, dizendo isto:

“Em companhia de Pero Lopes andou por esta costa do Brasil Pedro de Góis, fidalgo honrado, muito cavaleiro, e pela afeição que tomou à terra pediu a El-Rei D. João que lhe desse nela uma capitania, e assim lhe fez mercê de cinquenta léguas de terra ao longo da costa ou aos que se achassem  donde acabassem as de Martim Afonso de Sousa, até que entestasse com as de Vasco Fernandes Coutinho.”

Ora, as viagens costeiras de Pero Lopes são de 1531-1532. A escolha e apossamento do Porto dos Búzios por Góis vem, portanto, dessa época, e feitos pelo que se deduz, à revelia do rei, já que a capitania oficial de Pero de Góis, estava encravada no sul do país. Dessarte, é de supor-se que acontecera o seguinte: doada a Costa dos Potiguares a João de Barros e Aires da Cunha, da Baía da Traição até a Angra dos Negros, viu-se empenhado o ilustre Feitor da Casa da Índia, em indenizar a Pero de Góis, pelas dez léguas do Rio Grande, na importância de quinhentos cruzados; e, posteriormente, arrendou-o a Martim Ferreira, sócio de Pero de Góis, em aventuras comerciais.

Fica bastante explícito que a questão de limites verificada na Vila dos Cosmes de Igaraçu não retifica os termos da Carta de doação da capitania de João de Barros e Aires da Cunha, nem deixa supor que a fronteira primitiva, segundo o critério adotado por alguns escritores cearenses, se fazia pela Ponta dos Búzios.

Como fronteira “primitiva”, se esta começou com a Carta de doação de 1535, na Baía da Traição? Como fronteira “primitiva”, se a nesga de costa de Pêro de Góis não se entrosara no sistema de doações de capitanias hereditárias? O fato é que a “estação” balneária de Pero de Góis vem dando margem a ideias fantasiosas. Aqui termina o texto de Guarino.

Esse Antonio Baião, citado acima, foi Diretor do Arquivo da Torre do Tombo e sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, e o título do seu livro que contém o documento curioso a que se refere Thomaz Pompeu é: Documentos inéditos sobre João de Barros. Há cópia no IHGRN.

Acredito que o francês João Lostau já atuava nessa área, que foi de Pero de Góis, antes de receber suas sesmarias, a partir de 1601.
 
Trecho do Rio PIRANJI que vai desaguar no mar

Trecho do Rio PIRANJI, do outro lado da ponte



quarta-feira, 5 de março de 2014

Depois do carnaval...

D’ONT CRY FOR ME,HABANERO
(Para Maria Thereza – do  GRES   “QUIABO COM JERIMUM”)
Geniberto Paiva Campos – Brasília – Carnaval de 2014

Foi um curto momento na festa de domingo de Carnaval do Carpe Diem.
O baile, ou a roda de samba, corria solta nos salões do bar. Cantos carnavalescos nostálgicos, puxados pelo Oscarzinho. Todo mundo canta junto, afinados, uníssono. São quase todos coroas. Estão ali para celebrar a tradição da festa. Paquerar um pouco. Celebrar a vida. Afinal, ainda estamos vivos. Alguns comparecem fantasiados, isso aumenta a alegria. Hoje, em Brasília, não mais importa a origem dos foliões. Se cariocas, pernambucanos, paulistas. Agora, somos todos brasilienses. Ou candangos.
A festa tem um componente nostálgico inevitável. Há, subjacente, um clima de paz e confraternização. O ritmo é quente. O samba bem marcado. Geme uma cuíca . Os tamborins  ajudam na cadência, em contraponto com o surdo. Tudo transcorre sem exagero. Oscarzinho puxa Zé Ketty, “quanto riso, oh, quanta alegria!” Uma  alegre  nostalgia toma conta da festa. Dançamos, felizes, os braços para o alto. Talvez, na esperança de estarmos aqui presentes, inteiros, no próximo Carnaval.
Ninguém atravessa o ritmo. Estamos fazendo bonito. “Foi bom te ver outra vez/ está fazendo um ano/ foi no Carnaval que passou/ eu sou aquele pierrô”, clamam os belos versos da marchinha do Zé Ketty. Uma pausa para os músicos e para os foliões. A festa corre solta. Bonita. Alegre. O som do Carpe Diem não deixa o samba morrer.
Após o intervalo, volta a música ao vivo. Um negro jovial assume o microfone e canta. Apenas duas músicas. Não carnavalescas, como pede o roteiro. É um ritmo diferente. A plateia se espanta. É um canto bonito, doído. Parece arrancado das entranhas. A forma do rapaz “puxar” a música, num espanhol perfeito, leva os foliões ao êxtase. É tudo uma emoção só. Os carnavalescos ouvem com respeito e curiosidade o canto triste, melódico, bonito, falando de “Yolanda/Yolanda”. Alguns, talvez, lembram-se da versão do Chico Buarque para a música do cubano Pablo Milanês. A maioria apenas ouve a música, belíssima. Aderem ao seu encanto. Sabem que tem uma mensagem subjacente. Há todo um povo que fala, através daquele jovem vestido de branco, para os foliões que brincam o seu Carnaval. Ele  encerra a sua performance com “Guantanamera”. A emoção atinge o seu auge. Todos nós sabemos o refrão. Cantamos  com mais força ainda, “Guajira/Guantanamera”. O rapaz de branco, cubano, sai ovacionado. Tranquilo, sutil, da mesma forma que chegou. Deixou o seu recado. A sua mensagem. Sem fazer discursos.
-“Quem era? Um cubano do “Mais Médicos”? perguntam alguns. – Não. Apenas um cubano do “Mais Música”, responde um folião, gozador. Um outro volta até a mesa, e fala para os que estão ainda sob o impacto – impossível de disfarçar -   da música do Caribe: - “Essa Cuba eu gosto. O que veio a se tornar depois, não”. Mas a música havia diluído o preconceito. E assegurava: somos todos latinos, somos alegres, nascemos para ser felizes. Somos tolerantes. Aprendemos a respeitar o direito de cada um seguir o seu caminho. Enfim, voltando ao Zé Ketty, “não me leve a mal. Hoje é Carnaval”.