segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Acordo ortográfico prorrogado para 2016.

Prorrogado por mais três anos a entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no Brasil, ou seja, a partir de 2016. No decreto 7.875 publicado dia 28 de dezembro de 2012 no Diário Oficial da União, a presidente Dilma determina que o período de transição para implementação das novas regras vai agora até 31 de dezembro de 2015, já que o prazo original era até 31 de dezembro de 2012.
 
Com o novo decreto, as determinações do novo acordo deverão ser seguidas, obrigatoriamente, a partir de 1º de janeiro de 2016. Durante a transição valem as duas normas ortográficas. O atual Acordo Ortográfico foi aprovado em 1990, mas só começou a ser implantado no Brasil em 2009, após o então presidente Lula assinar o decreto 6.583 em setembro de 2008. [Fonte: O Globo]


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 12/31/2012 02:14:00 PM 
--Notas: A decisão da Presidenta Dilma foi acertada, pois o acordo acertado por uma minoria de "linguistas" provocou confusão e uma reação internacional contrária.
 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Um floco de neve. Artigo de Jomar Morais.


PJ Jomar Morais*
Jornalista  jomar.morais@supercabo.com.br
 
Nossa manhã do Natal é ensolarada e ardente e, se você me encontrou nas páginas da edição impressa ou na tela futurista de seu tablet nesta etapa do dia, talvez ainda empanturrado pelos excessos da véspera, eu lhe peço: sente, respire, contemple o azul do céu e as nuvens que se movimentam serenas e só depois, sentindo o refrigério que a tranquilidade proporciona mesmo nos dias mais tórridos, retorne à leitura deste texto.
 
Na manhã calorenta de nosso Natal, eu queria lhe falar de neve, um simples floco de neve. E, então, convidá-lo para extrairmos juntos de uma fábula do livro “New Fables: Thus Spoke the Caribou”, de Kurt Kauter, publicada pela revista Thot em 1993, uma inspiração e um estímulo para a caminhada no ano novo que vem aí.
 
O conto singelo e conciso é especialmente útil para quem desacreditou ou sequer ainda despertou para a importância dos pequenos gestos e ações na construção do mundo e na realização da utopia.
 
* * *
 
- Sabes me dizer quanto pesa um floco de neve? - perguntou um pardal a uma pomba silvestre.
 
- Nada de nada - foi a resposta.
 
- Nesse caso vou lhe contar uma história maravilhosa - disse o pardal. Eu estava sentado no ramo de um pinheiro quando começou a nevar. Não era nevasca pesada ou furiosa. Nevava como em um sonho: sem ruído nem violência. Já que não tinha nada melhor a fazer, pus-me a contar os flocos de neve que se acumulavam nos galhos e agulhas do meu ramo. Contei exatamente 3.741.952. Quando o floco número 3.741.953 pousou sobre o ramo – nada de nada como você diz – o ramo se quebrou.
 
Dito isso, o pardal partiu em voo.
 
A pomba, uma autoridade no assunto desde Noé, pensou um pouco na história e finalmente refletiu:
 
- Talvez esteja faltando uma única voz para trazer paz ao mundo.
 
* * *
 
Pense nisso.
 
Aprendemos a superestimar o papel das instituições e do poder constituído, como se a essência deles emanasse de estruturas materiais, leis e armas – e não dos indivíduos, suas crenças, valores e atitudes.
 
Queremos mudar o mundo e melhorar a vida confinando-nos no conforto da espera passiva ou da indignação artificial, que se esgota na crítica pela crítica, enquanto no dia a dia validamos e fortalecemos com nossas escolhas e ações da vida pessoal tudo aquilo que combatemos nas tribunas, nas mesas de bar e nas redes sociais.
 
No fundo, seguimos descrentes de nós próprios, sentados nos tronos de nossos apartamentos, esperando a morte chegar, como diria o rebelde Raul Seixas. Nada de nada é o peso que atribuímos ao exemplo e a persistência de cada homem no lugar e na posição a que foi chamado pela vida.
 
Nosso floco de neve, no entanto, atua e faz pressão e pode ser o suficiente para romper o galho de velhos vícios.
 
Feliz 2013!
 
*Texto publicado na coluna do jornalista no NOVO JORNAL


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 12/29/2012 10:13:00 AM

E os assaltos continuam.

Desta vez, na frente da Base Comunitária da Polícia Militar, na rua Bento Gonçalves. O posto-base comunitária está fechado há mais de uma semana, inclusive na manhã de hoje, amanheceu sem nenhum homem. O assalto de ontem ocorreu por volta das 21 horas e foi praticado por um casal que estava numa motocicleta de placa não anotadas. Dois pré-adolescentes estavam conversando na parada de ônibus quando o assaltante-piloto da moto que entregassem os pertences e a bicicleta para a comparsa fugir nela. O menino da bicicleta fugiu sem entregar nada, enquanto o colega (filho de Renato e morador do bairro) perdeu o celular. O assalto foi visto por várias pessoas, inclusive pessoas que aguardavam ônibus que ainda devem estar correndo com medo dos ladrões.
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Nota: Há poucos minutos, foi vista uma viatura da PM fazendo uma ronda nas cercanias.
Uma das vítimas informou que o casal de assaltantes são jovens e de classe média e que a motocicleta seria de 250 cilindradas "ou mais". São 19h43m.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A MRV Engenharia, uma das principais construtoras do país, e outras 55 pessoas jurídicas e físicas foram incluídas na atualização de dezembro do cadastro de empregadores flagrados explorando pessoas em situação análoga a de escravos, conhecido como a “lista suja” do trabalho escravo. Mantida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), a relação é atualizada semestralmente desde novembro de 2003.
A MRV foi reinserida no cadastro por conta de um flagrante na construção do edifício Cosmopolitan, em Curitiba (PR), onde 11 trabalhadores foram resgatados em 2011. A primeira vez que a construtora entrou na relação foi em julho deste ano por conta de flagrantes nas obras dos condomínios Parque Borghesi, em Bauru, e Residencial Beach Park, em Americana, no interior paulista.
Obra da MRV na capital paranaense flagrada com trabalho análogo ao de escravo (Divulgação/MTE)
A “lista suja” tem sido um dos principais instrumentos no combate a esse crime, através da pressão da opinião pública e da repressão econômica. Após a inclusão do nome do infrator, instituições federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste e o BNDES suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também estão proibidos de conceder crédito rural aos relacionados na lista por determinação do Conselho Monetário Nacional. Quem é nela inserido também é submetido a restrições comerciais e outros tipo de bloqueio de negócios por parte dos cerca de 400 signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo – que representam 30% do PIB brasileiro.
O nome de uma pessoa física ou jurídica é incluído na relação depois de concluído o processo administrativo referente à fiscalização dos auditores do governo federal e lá permanece por, pelo menos, dois anos. Durante esse período, o empregador deve garantir que regularizou os problemas e quitou suas pendências com o governo e os trabalhadores. Caso contrário, permanece na lista. Ao todo, 31 nomes de empregadores saíram da lista nesta atualização.
Seguem os principais trechos da matéria de Daniel Santini e Maurício Hashizume, da Repórter Brasil, sobre a atualização do cadastro:
A empresa, uma das principais construtoras do Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, chegou a ter a concessão de crédito suspensa pela Caixa Econômica Federal por ter entrado na lista. Após acionar a Justiça, porém, a MRV foi beneficiada por liminar concedida em 48 horas pelo ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, que suspendeu a inclusão no cadastro. Com faturamento bruto de mais de R$ 2,5 bilhões em 2011, a empresa esta entre as sete maiores construtoras do país, de acordo com informações da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, organização que reúne 62 sindicatos e associações patronais do setor.
O avanço no setor de construção de habitação popular garantiu o crescimento e conquistas. A empresa terminou 2011 como a construtora com maior lucro das Américas, segundo a Economatica, e alcançou o posto de terceira maior construtora brasileira no ranking da ITC, ambas consultorias empresariais que fazem levantamentos sobre o setor.
De olho em novos investimentos do governo federal em programas de moradia, o presidente e fundador da MRV, Rubens Menin Teixeira de Souza, defendeu a revisão de valores do programa Minha Casa Minha Vida em palestra para analistas em agosto. Rubens é um dos seis brasileiros incluídos em 2012 na lista de bilionários organizado revista Forbes.
A ascensão da MRV, porém, tem sido marcada por problemas. Além dos flagrantes de escravidão, a empresa enfrenta questionamentos também relacionados ao que o Ministério Público do Trabalho (MPT) classifica como exploração irregular sistemática de mão de obra nos canteiros. No primeiro semestre o MPT fez representação inédita acusando a empresa de “dumping social” à Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE/MJ) solicitando abertura de um procedimento administrativo para apuração do conjunto de infrações que envolvem a empresa no âmbito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A reportagem tentou por e-mail e telefone ouvir representantes da construtora sobre a nova inclusão. Ninguém da assessoria de imprensa, porém, foi encontrado nesta sexta (28).
Veja, no mapa abaixo, os flagrantes dos empregadores incluídos nesta atualização da “lista suja”:
Observação deste blog: A MRV foi incluída na primeira vez em 31 de julho deste ano. Às 10h18 do dia 01 de agosto, as ações da MRV chegaram a cair 6,18% na Bolsa de Valores de São Paulo. Depois recuperaram-se um pouco e fecharam em queda de 3,86%. Quando ela obteve decisão liminar favorável e deixou a relação, suas ações recuperaram-se.
No dia 16 de agosto de 2011, veio à público o resgate de trabalhadores em condições de escravidão contemporânea em oficinas de costura que forneciam para a Zara. No dia 19 de agosto, as ações da espanhola Inditex, dona da Zara e de outras marcas de roupas, fecharam com uma queda de 3,72% na Bolsa de Madri. As ações chegaram a recuar mais de 4% ao longo do dia. E em 31 de dezembro de 2009, a Cosan, gigante do açúcar e álcool, foi inserida na “lista suja” por conta de trabalho análogo ao de escravo relacionado à sua unidade de Igarapava (SP). Após o feriado, as ações da empresa caíram nas bolsas. Por exemplo, sem contar quedas de outros dias, no dia 7 de janeiro, as ações tiveram desvalorização de 5,32% na Bovespa e os American Depositary Receipts da Cosan Limited caíram 3,46% na Bolsa de Nova Iorque. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social havia decidido suspender, em caráter preventivo, “todas as operações com a empresa” até que ela saísse da lista. O Wal-Mart, entre outros mercados, divulgaram a suspensão de todas as compras de açúcar União e Da Barra.
Além de serem grandes (a Cosan, até o acordo com a Shell, era considerada a maior empresa de açúcar e álcool do mundo; a Inditex é uma das maiores empresas de vestuário do planeta; a MRV é a companhia de construção com o maior lucro das Américas no ano passado), todas sofreram com a reação do mercado por conta do envolvimento de seus nomes em casos de trabalho escravo contemporâneo. Não porque o mercado seja “bom” e queira proteger trabalhadores. Não é uma questão moral, mas sim de percepção de risco ao investimento.
Pois mesmo que essas quedas nas bolsas de valores, registradas acima, tenham desaparecido nos dias seguintes ao ocorrido, elas funcionaram como um alerta para a empresa e para o setor em que estão inseridas.
O livre mercado depende do acesso pleno às informações para que decisões de negócios sejam tomadas considerando-se todas as variáveis possíveis. Portanto, a “lista suja” do trabalho escravo tem sido peça fundamental no processo de garantir transparência às variáveis relevantes e dar mais segurança aos atores econômicos.
Confira abaixo as inclusões e exclusões da atualização divulgada:
Inclusões e Exclusões da “Lista Suja” do Trabalho Escravo
Entraram em 28/12/2012

Ademir Furuya    311.073.381-15
Adolfo Rodrigues Borges    013.202.708-91
Agro Mercantil Baseggio Ltda    83.507.137/0001-64
Agropecuária Pôr do Sol Ltda – ME    00.198.189/0001-79
Ambiental Paraná Florestas S. A.    76.013.937/0001-63
Ana Salete Miotto Lorenzetti    369.643.879-00
Antônio Carlos Françolin    627.916.998-72
Antônio Roberto Garrett – ME    13.627.789/0001-57
Carvan Indústria e Comércio de Carvão Vegetal Ltda – ME (PLANTERRA Comercial Ltda – EPP)    04.185.934/0001-04
CIFEC Compensados da Amazônia Ltda    04.470.498/0001-07
Cleiva Alves da Silva – ME    04.598.076/0001-11
Complexo Agroindustrial Pindobas Ltda    28.477.313/0010-45
Conrado Auffinger    294.843.919-15
Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro Ltda – COAGRO    05.500.757/0001-68
Coracy Machado Kern 084.221.251-53
Décio Pacheco & Cia Ltda    76.986.702/0001-58
Dilcelani Silva do Prado    985.730.801-59
Edilson Lopes de Araújo    967.023.704-15
Elizeu Sousa da Silva    698.837.183-49
Emídio Nogueira Filho    661.389.738-87
Ervateria Giotti Ltda – EPP (Giott e Basi Ltda EPP)    03.744.353/0001-94
Ervino Gutzeit    009.180.752-20
Francisco Gil Cruz Alencar – EPP    05.633.466/0001-48
Geraldo Otaviano Mendes    909.298.296-20
Gilberto Afonso Lima de Moraes    508.651.372-34
Green Ambiental Projetos e Execuções Ltda – ME    03.399.173/0001-12
Hélio Duarte Soares    044.549.318-60
Jairo Luiz Alves    035.734.866-49
José de Paula Leão Junior    745.499.798-87
José Essado Neto    015.866.531-72
José Gonçalves Rolo    368.166.398-04
José Pereira Barroso    163.045.602-06
José Queiroz    004.699.636-20
Josué Agostinho da Silva    045.162.494-72
Liro Antônio Ost    163.090.060-53
Luiz César Costa Monteiro    319.833.161-72
Luiz Ney de Lima    523.463.742-53
Marcelo Kreibich    430.066.711-04
Marcos André Mendes de Castro    627.682.202-72
Marcos Nogueira Dias    066.315.332-87
Markus Josef Dahler    035.394.498-09
MRV Engenharia e Participações SA    08.343.492/0002-00
Obiratan Carlos Bortolon    445.452.319-34
Onivaldo de Oliveira Paracatu    450.490.501-97
Priscilla Bressan Bagestan    015.780.849-11
Renato Sérgio de Moura Henrique    989.028.061-20
Ronaldo Rebert de Menezes – ME    09.036.764/0001-01
Rubens Ramos de Moura    001.705.931-34
Rubens Roberto Rosa    955.424.858-04
Selson Alves Netto    159.949.706-97
Sigma Florestal Indústria e Comércio Ltda – EPP    08.259.718/0001-09
Tárcio Juliano de Souza    654.016.702-49
Transportadora M G Ltda – ME    22.715.262/0002-56
Valdemar Osvaldo Gonçalves    209.518.689-34
Welson Albuquerque Ribeiro Borges    448.935.741-91
Wester Gude Butzke    714.761.992-72
Saíram em 28/12/2012
Ademar Teixeira de Barros    193.494.086-00
Agroflorestal Tozzo S/A    02.298.006/0002-01
Agropecuária São José Ltda.    03.141.488/0001-65
Airton Fontenelle Rocha    026.711.583-00
Airton Rost de Borba    336.451.750-91
Antônio Assunção Tavares    049.302.073-04
Antônio Luiz Fuchter    138.445.129-34
Ari Luiz Langer    300.237.779-15
Bioauto MT Agroindustrial Ltda.    08.645.222/0002-54
Cleber Vieira da Rosa & Cia. Ltda.    09.025.835/0001-70
Dario Sczimanski    026.596.899-20
Diego Moura Macedo    992.103.803-63
Dissenha S/A-Indústria e Comércio    81.638.264/0007-62
Edésio Antonio dos Santos    130.382.903-78
Elcana Goiás Usina de Álcool e Açúcar Ltda.    08.646.584/0001-89
Ervateira Regina Ltda.    84.585.470/0001-54
Espedito de Bertoldo Galiza    066.925.083-04
Esperança Agropecuária e Indústria Ltda.    06.385.934/0008-41
Fabiano Queiroz    876.184.946-49
Isaías Alves Araújo    257.529.951-91
João Ribeiro Guimarães Neto    127.367.591-68
Madecal Agro Industrial Ltda.    83.053.777/0002-22
Manoel Luiz de Lima    117.134.109-15
Nelcimar Borges do Prado    039.738.081-04
Nivaldo Barbosa de Brito 291.805.382-15
Roberto Sebastião Pimenta    223.128.116-34
Sebastião Levi de Carvalho    011.690.681-20
Valdivino Barbosa da Silva    268.106.702-20
Valtenir João Rigon     680.445.349-20
Von Rommel Hofmann Peixoto    001.693.997-29
Wanderley Rabelo de Andrade    376.882.436-53
O NATAL DE SÃO FRANCISCO E DO POETA HORÁCIO PAIVA 

 -São Francisco refletia sobre as chagas de Jesus e a esperar se quedava transido de frio e jejum.
“- medito em profundo silêncio e solidão!
 
 -Que procurais São Francisco nesta noite de Natal? A quem chamais, pobrezinho na noite fria de Assis? 
“ - Procuro pelos desvalidos deste mundo”

 -Já não tendes o presépio e vossa fé bem plantada? Vosso bordão, vosso hábito e as vossas orações? 
“-Sim, tenho tudo isso. Contudo, preciso buscar a todos,
Para que não se perca nenhum”
 -As sete chagas chamais de Nosso Senhor Jesus Cristo profundo e simples quereis compartir a sua sorte. 
“-Sim, o Verbo é simples!”
 -Há uma estrela a guiar o caminho até as chagas há o sangue derramado sobre a neve sossegada. 
“- Sim,o seu sangue não foi em vão. Sobre a neve  nascerão rosas e Esperança”.

 (Horácio Paiva - Natal de 2012)
                (  Eduardo Gosson – Natal de 2012)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012


Polícia recupera Corolla roubado em Parnamirim e prende suspeito

Tribuna do Norte.


Publicação: 26.12.2012 - 18h12m

Agentes da Delegacia Especializada na Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas (Deprov), prenderam no início da tarde de hoje, Maicon Bernardo Montenegro, 20 anos, que havia roubado o carro tipo Corolla de placa NJB-2121 no último dia 11 no Atacadão de Parnamirim. O Jovem foi preso na casa da namorada, na zona Norte de Natal. Na residência foram encontrados quatro video-games playstation, também roubados, de acordo com o ladrão.

O roubo ao veículo aconteceu no estacionamento do Atacadão, na BR-101, por volta das 10h, quando a vítima foi obrigada a descer do automóvel com uma arma apontada para o rosto. A suspeita foi confirmada após os policiais fazerem uma revista em encontrarem um bilhete de estacionamento com a placa do Corolla no bolso dele.

Segundo o delegado da Deprov, Frank Albuquerque, Maicon Bernardo havia assaltado uma casa no bairro de Capim Macio com outros comparsas, que levaram uma motocicleta de 600 cilindradas e três carros. "Suspeitamos que ele faça parte de uma quadrilha por causa do acontecimento ocorrido há quatro meses em Capim Macio. Ele foi autuado pela justiça, mas como não foi pego em flagrante foi liberado", disse.

Maicon Bernardo Montenegro será levado para a Delegacia de Polícia da Grande Natal

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A Revolta Comunista de 1935 (FIM)



 Djalma Maranhão ia participar da rebelião.
 Juvenal Lamartine irritou-se com um vigário.





ENTREVISTA DE JAIR  SIQUEIRA CALÇADA, COMPANHEIRO DE CASERNA DE DJALMA MARANHÃO, EM JUNDIAÍ, SÃO PAULO.

POR EDUARDO MAFFEI, ESPECIAL PARA ESTE LIVRO.

  



 JAIR SIQUEIRA CALÇADA X DJALMA CARVALHO MARANHÃO – ENTREVISTA


Jair Siqueira Calçada, industrial paulista de boa cultura, durante alguns dos anos 30, conviveu estreitamente com Djalma Carvalho Maranhão, o grande prefeito de Natal caçado e cassado pelos que se apoderaram do poder em abril de 1964.  Esse contacto aconteceu por dois motivos, um dos quais é acontecimento histórico do nosso país.  Deu ao historiador Eduardo Maffei, seu amigo, a entrevista que se segue sobre como viu e ainda vê Maranhão.
Conheci Djalma Maranhão em outubro de 1933 como praça de pré no 1º Batalhão do 6º R. I. (Sexto Regimento de Infantaria) composto de quatro companhias – 1ª, 2ª, 3ª, e de metralhadoras.  Eu fazia parte da primeira e ele da segunda, mas com sua arte de fazer amizades, tornou-se amigo de todos nós, tendo mais estreito contacto comigo.  A sede fixa desse regimento era em Caçapava mas como, em virtude do movimento constitucionalista de 1932, havendo aderido aos rebelados, o 2º C.A. do (Segundo Grupo de Artilharia de Dorso) de Jundiaí foi dissolvido, a unidade militar passou a ser reconstituída com 1º Batalhão do 6º R.I., com sede em Caçapava em Jundiaí.  E para essa reconstituição foram recrutados muitos convocados de Campinas nos quais me achei incluído.  Logo mais, para complementar, transferido de Natal, chegou um contigente composto na maioria de potiguares, entre os quais se achava Djalma Maranhão.  Lembro-me de outros, além dele:  Rubem Sampaio, Elisiolino Santana, Lucas Ferreira da Silva, Alfredo Pegado Cortez e Adalberto Alves de Souza.
Durante praticamente todo ano de 1934 fizemos, primeiramente o concurso de candidatos a cabo e logo em seguida de sargentos.  O que mais se sobressaiu de todos nós foi Djalma Maranhão.  Era o de maior cultura, tinha muita curiosidade pelos seus problemas e lia muito.  No mesmo logradouro em que se sediava o quartel à praça Rui Barbosa, havia o Gabinete de Leitura com o mesmo nome e Maranhão, desde logo passou a influir sobre todos nós para que tornássemos sócios do mesmo, sempre dizendo que a boa leitura era necessária para a boa formação do homem.  Como a maioria de nós era virgem em matéria de ilustração, passou a nos indicar livros.  Grande parte da minha formação cultural devo a ele.  Lembro-me ainda – todos nós éramos de origem pobre – de um livro por ele indicado que nos fez vibrar, tornando-se tema de nossas conversas.  Foi O Germinal de Emile Zola.  Explicava-nos que esse autor, contra a opinião pública francesa dirigida por calúnias, defendera o capitão Dreyffus da falsa acusação de traidor da pátria.
Passou-nos, mas sigilosamente a alguns companheiros em quem mais confiava, entre os quais eu me achava incluído, para ser lido, um livro de autoria do marechal Klementi Vorochilov, comissário para os negócios de guerra da URSS, equivalente ao nosso ministro da guerra e de Luís Carlos Prestes, exilado na república dos sovietes.  Explicava a necessidade e do porque tornar apto o Exército Vermelho, quantitativa e qualitativamente, para revidar eventuais agressões aos país sob cerco permanente, embora já armado, mas em paz, desde a Revolução Bolchevista de outubro de 1917.  Durante a intervenção estrangeira nos negócios internos da novel república socialista, para cobrir os sangrentos acontecimentos, Assis Chateaubriand como correspondente do “Correio da Manhã”, no dia 18 de novembro de 1919, portanto 30 anos antes que, em sentido inverso, Churchill usasse a expressão, escreveu:  “Por detrás da cortina de ferro, em que os aliados envolveram a República dos Sovietes”.  Foi, portanto, Chateaubriand e não Churchill quem cunhou a expressão cortina de ferro.
Djalma Maranhão revelou-se um recrutador político de fino senso.  Abriu-me os olhos para muita coisa que, mesmo existindo, eu não via.  Quase todos os dias trazia um exemplar de “A Platéia”, jornal popular que viria a ser em São Paulo o órgão oficioso da Aliança Nacional Libertadora Paulista.  Em fins de 1934 começou a nos demonstrar porque razões se desiludira da revolução de 30.  Não pelo que fora, mas pelo que não conseguira ser.  Nesse tempo a maioria do povo que vivera o entusiasmo eufórico dos dias que se seguiram à vitória, estava também desiludida.  Havia desemprego e carestia.  Passou a sondar quem de nós poderia ser recrutado para a luta de libertação do latifúndio e do imperialismo, as duas maiores pragas, como nos dizia, que afligiam o Brasil.  Nem se falava em Aliança Nacional Libertadora que viria a ser lançada em 23  de março de 1935.  Quando ela surgiu, tomou-se de entusiamo que nos contagiou.  Mas, no quartel, a coisa não passou a ser senão entusiasmo.  E quando se realizou o comício aliancista em Jundiaí que foi realizado na praça em  que se situava o quartel, a maioria da tropa, aliciada por Maranhão, o assistiu e mesmo fardada batia palmas às tiradas oratórias.  O comandante da unidade não se opôs à nossa presença e, inclusive, fez parte da assistência.  Esse comandante Vitor Cesar da Cunha Cruz, depois de transferido, viria a ser muito lealmente bem descrito, por sua fidelidade aos amigos, por Fernando de Morais em seu livro OLGA, como participante daqueles angustiosos momentos da undécima hora do movimento que irromperia logo depois no Rio de Janeiro, na madrugada de 27 de novembro de 1935.  Demos pois a palavra a Fernando de Morais:
“ Quando a noite caiu, Prestes e Olga mudaram-se da casa de Ipanema para outra de Vila Isabel, a meio caminho da Vila Militar, a mais importante guarnição da capital.  No momento que os revoltosos tomassem as unidades, bastariam uns poucos minutos para que Prestes assumisse, da Vila Militar, o comando do país.  Movidos por alguma arte do instinto, Prestes e Olga resolveram que não seriam levados para Vila Isabel por Erika, a jovem mulher de Gruber (Gruber era um agente da Gestapo infiltrado, como informante, no movimento comunista internacional) que até então servira como motorista do casal.  Por isso, Prestes chamou um velho amigo seu, o major Vitor Cesar da Cunha Cruz,  naquela época cursando a Escola de Comando e Estado Maior do Exército.  EMBORA NÃO COMUNISTA, Cunha Cruz era de total confiança, e, sendo oficial do Exército eliminava os riscos de serem interceptados por alguma patrulha (Fernando Morais, Olga, 3ª edição, editora Alfa-Ômega, 1986, pgs. 98/9 e 100).  “Fracassado o movimento, logo na manhã do mesmo dia, eles puderam, apesar das barreiras que a polícia estabelecera em cada esquina da cidade, chegar de Vila Isabel para Ipanema, levados pelo major Cunha Cruz sem ser importunados” (Ob. cit. pg. 107)
Depois do major Vitor Cesar, assumiu o comando da tropa em Jundiaí o major Iberê Leal Ferreira, muito educado, apartidário, bom militar e amigo da tropa, mas creio que era subretipciamente simpatizante da A.N.L, pois conversava sempre mais que o necessário militarmente com Djalma Maranhão que era conhecido aliancista.  Maranhão pediu licença para o dia 7 de outubro de 1934, o que lhe foi concedido.  Dirigiu-se à capital, tendo participado, integrando a frente única popular de forças antifacistas, na dissolução violenta do desfile e concentração de 10 mil integralistas que haviam programado para a tarde daquele dia uma  demonstração de força na praça da Sé.  Foi o único do batalhão que participou da luta, mas transmitiu aos companheiros como viria o entrevere, pois, muito cuidadoso, não baixava a guarda e dizer que participara seria ser incriminado.
Em junho de 1935 esse batalhão foi transferido de Jundiaí para Caçapava afim de se reintegrar à sua verdadeira unidade e a Aliança Nacional Libertadora, lançada em março, ia de vento favorável e Maranhão fez permanentemente nas conversas com os companheiros explicações sobre seus objetivos.  Sempre preocupado com a cultura e o antifacismo, passou a editar um jornalzinho humorístico, custeado por nós, seus companheiros, “O Misterioso”, juntamente com Elisolino Santana e Rubem Sampaio, satirizando a civilização mussolínica que atirava bombas sobre aldeias indefesas da Abissínia, país ao qual, sem mais aquela , para ampliar no seu ridículo Império Romano.
Dias depois da insurreição de Natal, Recife e Rio, foi lida no quartel uma ordem do dia do Ministro da Guerra João Gomes (o mesmo, como se soube depois, que numa reunião  do ministério, depois do esmagamento das três insurreições, propôs o fuzilamento dos comunistas e que tais), ditando que se abrisse um inquérito em todos corpos de tropa e “fosse imediatamente detido todo e qualquer elemento que houvesse demonstrado o mais leve indício ou suspeita de ser comunista, demonstrando que se o movimento apanhara de surpreza os aliancistas, não apanhara a reação que, segundo a história demonstrou posteriormente, já se achava preparada.
Antes da eclosão do movimento, havia um ambiente de insatisfação entre muitos dos subgraduados que, por isso mesmo, tornaram-se prosélitos da ANL, porque fora baixada uma ordem de Ministro da Guerra com o objetivo de elitizar o exército, que todo aquele que fora promovidos lutando em 30 e 32, ao lado de Getúlio e na repressão ao movimento constitucionalista, se não fizesse o necessário curso e fosse aprovado para o posto, deveria ser rebaixado.  Um dos que seria atingido era o 3º sargento José Maciel que, desgostoso, tornou-se alcoolatra, embebedando-se com frequência.  Apesar de não participar da Aliança, no dia em que chegou a nova da insurreição de Natal, alegre por isso mesmo e porque bebera além da conta, em comemoração, postou-se no local do Corpo de Guarda, declamando repetidas vezes o seu repente:  “No norte desabrochou uma flor / No sul está em botão”.  Foi o primeiro a ser preso e agradeceria o acontecido porque, além de se tornar abstêmio, aculturou-se na Universidade do presídio.
Quando a ANL foi posta na ilegalidade Djalma Maranhão passou a conspirar, dizendo:  “Não respeitam mais a vontade popular;  isso não pode ficar assim”.  Entre os que toparam achava-se o sargento Milton Miranda que fora condenado há mais de 20 anos, preso, portanto já afastado da sociedade, porque assassinara um colega por motivos fúteis, aguardando a transferência para a penitenciária.  Todos os dias o cabo Antônio Balotta, o branco – pois que havia, com o mesmo sobrenome, o preto – postava-se frente às grades por largo tempo, doutrinando-º  Este cabo, pouco mais que alfabetizado, foi um dos muitos detidos que muito ganharam na permanência no presídio, o que Maranhão apelidava, sempre com a mesma verve, de colégio interno.  Balotta aprendeu, na universidade, com João Baptista Dubieux falar corretamente o japonês.  Quando, 19 meses depois, no começo de julho de 1937, foram soltos todos aqueles que não tivessem culpa formada, exigência que, para ser nomeada Ministro da Justiça, José Carlos de Macedo Soares fizera, pelo ato que viria a ser historicamente conhecido por “macedada”, o presídio praticamente se esvaziou e entre os que foram soltos achava-se o criminoso condenado há mais de 20 anos que ganhou liberdade depois de 19 meses, por artes de mágica do arbítrio reacionário.  Costumava, depois, bendizer a prisão, desaparecendo, em seguida, do mapa.
Foram presos na unidade do 6º R. I. em Caçapava em seguida à insurreição aliancista, entre 30 – 35 elementos, todos, menos um que era soldado, cabos e sargentos, a maioria dos quais nada tinha que ver  com o movimento.  Obrigado, pela ordem do dia que fora lida em todas guarnições do país, a informar, o comandante major Iberê Leal Pereira, procedeu com muita lealdade, relatando que nada havia contra os detidos, pois nada acontecera no quartel, não encontrando motivo para abertura de inquérito, além do que todos eram ótimos militares cumpridores dos seus deveres.  Entretanto, um capitão integralista forçou a barra.  Este pouco sabia como exercer o oficialato, pois fora anistiado e promovido em 1930, desligado que fora – também por suspeita – da Escola Militar em 1924, onde era aluno.  Era muito posudo.  Tratava a tropa fria e autoritariamente.  Certa vez – ele tinha a mania de se mostrar -, montado num cavalo, resolveu pôr sua companhia em forma para assistir sua demonstração.  Caiu do cavalo e recebeu uma sonora vaia dos comandantes mesmo quebrando a disciplina militar.  Como os apupadores eram em sua maioria do 1º e 2º batalhões, passou a votar aversão aos seus componentes, especialmente Djalma Maranhão que levava tudo aquilo na flauta como dizia.  Esse integralista, capitão João Batista Mondini Beletti, publicara um livreco chinfrim, A Esfinge, de proselitismo verde e insinuou aos seus comandados sua leitura.  Os poucos que o leram faziam troça e ele soube disso.  Afinal ele conseguiu, à força de tanto fazer, a abertura do inquérito e, no sumário de culpa, em fevereiro de 36 o comandante do regimento, Iberê Leal Ferreira, militar decente, apesar das perguntas capciosas do promotor, respondeu que nada tendo acontecido no quartel não via motivos para indiciar os sumarizados.  Mas o integralista fez pé firme.  Indiciou, segundo sua interpretação, todos os detidos no artigo 10 da Lei de Segurança Nacional que previa penas para todos aqueles que incitassem militares uns contra outros.  Djalma Maranhão, nessa ocasião, estudou a dita lei e nos disse:  “A lei diz uma coisa, mas os reacionários a interpretam à sua moda”.
Quando o Inquérito Policial Militar chegou às vistas do juiz federal Bruno Barbosa, apegando-se ao espírito da lei, ridicularizou-º  Haviam enquadrado, forçando esse espírito, arbitrariamente.  Disse que procurara no IPM, onde eram indiciados, mais de três dezenas de incitadores, os incitados e não encontrara nenhum que fizesse a prova.  Mas despachou que os presos deveriam ficar à disposição da polícia até que fossem apuradas as responsabilidades.  Maranhão nos disse, sem perder o humor:  “Se não temos culpa de nada não haverá responsabilidades, e, então estamos fritos porque vão ficar procurando-as durante a eternidade;  assim estamos condenados à prisão perpétua”.  Não foi à prisão perpétua, mas foram 19 meses de detenção sem culpa formada.  No presídio, de vez em quando, me dizia:  “Viu no que deu você não ler A Esfinge?  E dar vaia em quem cai do cavalo?
Ignoro quais as ligações políticas que Maranhão mantinha antes.  Eu mesmo o seu amigo mais chegado, por ele me haver dito, só soube no presídio que desde que morava em Natal pertencia à Juventude Comunista, organização de jovens do PCB.  Entretanto, quando a insurreição eclodiu em novembro de 1935, disse-nos, ainda livres, no quartel:  “Precipitaram a coisa:  não era para agora”.
Estiveram presos comigo, entre outros de que não me lembro, além de Maranhão, Elisiolino Santana, Lucas Ferreira da Silva, Rubem Sampaio, Alfredo Pegado Cortez, Adalberto Alves de Souza, Ubaldo Marino, Antônio Balota e Marcelino Ferreira, pois fazíamos parte de um grupo mais estreitamente ligado.  E lembro-me bem de outros dois:  o cabo Marcelino Ferreira e Milton Miranda, este porque viera de uma prisão dura para outra mais branda.
Lucas Ferreira da Silva foi um dos que, mais tarde, transferido para o presídio do Paraizo, fugiria por um tunel escavado pelos presos.  A idéia desta fuga foi do militar José de Castro Correia, Issa Maluf e Jorge Raful.  O projeto de autoria, tanto quanto a supervisão de sua construção, foi da cabeça do engenheiro Alexandre Weinstein.  Foi o primeiro editor (editora Pax) que, no Brasil, em 1931, editou obras de ficção e esclarecimento sobre a URSS, pelo que, sem culpa formada também, esteve preso.  Rompera a “cortina de ferro” cultural.  E por isso o prenderam também.  Era um judeu nascido em Odessa, na URSS, muito inteligente e irônico.  Quando esse tunel estava pronto Paulo Emílio Salles Gomes foi convidado a evadir-se por ele, o que aconteceu.  Pouco depois o seu exílio para a França foi negociado por seu pai, uma vez que a polícia política não desejava ser desmoralizada com a fuga.  Ele viveu em Paris até quando os exércitos nazistas romperam, aparentando invencibilidade, as fronteiras da França.  Retornando, procurou antigos prisioneiros que conviveram com ele no presídio fazendo derrotismo hitlerista sobre a invencibilidade dos exércitos nazistas, pedindo que se conformassem.  procurou inclusive a mim.  Mas passou a assoalhar, por um estelionato histórico, à sua claque, para cuja formação demonstrou-se hábil, que a idéia e supervisão da construção do tunel fora dele.  Fora preso em 1936, ao retornar do Peru, entusiasmado com a APRA (Associação Peruana da Revolução Anti-imperialista), criada por Haya della Torre, intitulando-se aprista, não sendo, no presídio – ele estivera no Maria Zélia e fora logo transferido para o Paraizo – levado a sério por ninguém.  Era então um meninão ingênuo de 19 anos.  Entre os que puxaram o cordão da claque esteve Jorge da Cunha Lima que foi secretário de cultura do governo montoro.  Escreveu, em setembro de 1977, na revista “Isto é” que “em Paris convivera com Trotsky, Bukharin e Kamenev”.  Todos ex-membros do comitê central do partido belchevique que cooperaram para a vitória da Revolução de outubro).  Paulo Emílio nunca deixou por menos.  Transformou-se num dos mais sábios conhecedores de cinema, mas fazia cinema também com sua mitomania.  Quando Paulo Emílio achava-se em Paris nos anos 30, Trotsky estava rigorosamente confinado na Noruega, passando logo a residir no México e os outros dois jamais sairam da União Soviética, países onde ele não esteve.
Os militares presos em Caçapava, antes de ser recolhidos ao presídio político, foram removidos de Caçapava para a Delegacia de Ordem Política e Social na capital.  Viemos num trem leitero que parava exasperantemente em todo lugar onde tivesse galões de leite a recolher, em péssimas condições como se fizessemos parte de uma manada de animais – e Maranhão sempre fazendo humor -, sob a guarda de um pelotão de maior número que nós, armado até os dentes sob o comando do sub tenente Cid, sempre amável, pelo que Maranhão nos disse que tanto soldados armados para nos vigiar fazia-o começar a se sentir muito perigoso à sociedade!  Chegando à uma e meia da madrugada fomos levados, como se fossemos uma vara de porcos, num caminhão em que transitamos como sardinhas em lata, para o Quartel General da 2ª Região Militar do Exército, de onde o oficial de dia nos encaminhou para a delegacia de Ordem Política e Social (DOPS).  O desconforto era temperado pelo sal do espírito de Maranhão que fazia até os homens do pelotão se rir.  Quando todos nós chegamos, presos e escoltadores, subindo as escadas do prédio, à delegacia de Ordem Política e Social foi um tal de corre-corre.  Os tiras da portaria, ao ver tanta gente e muitos armados, deram no pé.  E assim fomos subindo todos os andares e em cada qual todo mundo, inclusive o delegado de plantão, fugira pelo elevador.  Maranhão fazia piadas e todo mundo se ria da poltronice.  Enfim encontramos um tira escondido e apavorado, e único que não conseguira se escafeder.  Enfim o subtenente Cia, entregou-nos a ele, dizendo que nos tratasse bem porque éramos boa gente.  E passamos o resto da noite, mais de 30, presos por um só.  Maranhão lhe disse:  “Se fossemos tão perigosos como se fala de nós, acabaríamos com você, destruiríamos a delegacia com seu arquivo e íriamos embora, sem mais aquela.  O inspetor apavorou-se, mas quando percebeu que se tratava mesmo de “boa gente” passou a nos interrogar policialanescamente.  E ele estava no blá-bla quando Maranhão lhe perguntou:  “Enfim aqui não se dorme?  Então o funcionário nos serviu café e depois nos deitamos espalhados pelo chão, até que aparecesse, de manhã o novo delegado de plantão.
Dali fomos removidos para o presídio Paraizo, o único que havia como detenção política.  Mas como logo superlotou, o governo de São Paulo alugou a fábrica de tecidos Maria Zélia de dois grandes pavilhões contíguos, aproveitando só um, porque no outro ficaram armazenados as máquinas.  Para ali fomos removidos logo em janeiro de 1936, sempre sem culpa formada e sempre para averiguações...  Ali o cabo Ubaldo Marino de Oliveira, com quem Djalma Maranhão dava-se bem – Maranhão dava-se bem com todos – enlouqueceu e Djalma o tratou, no pouco tempo que continuou a permanecer entre nós como amigo e enfermeiro.  Ele combatera em 1930 ao lado das tropas getulistas e fora ferido por um estilhaço de granada que penetrara por um dos olhos, alojando-se no cérebro de onde, por não causar danos, pois o local era neutro, não foi extirpado.  Usava, para encobrir a cicatriz ocular, óculos pretos.  Desde que fomos detidos, não suportando a injustiça de sua prisão ele já se desesperava e quando fomos atirados ao presídio, percebendo que ali ficaríamos por muito tempo, enlouqueceu, conclusão a que chegaram os médicos presos.
Desde o início Djalma Maranhão procurou transmitir sua cultura e receber de quem sabia mais que ele.  Ficava horas conversando com o historiador e sociólogo Caio Prado Júnior de quem se tornou amigo.  Caio apreciava-o muito e não fazia mistério do seu apreço, vaticinando, para ele, um grande futuro político.  E Maranhão nos dizia que, quando retornasse à vida civil, sairia com grande débito cultural para com ele.
Ele sempre foi um aficcionado pela prática de esportes e, no quartel lhe demos o apelido de Farol, porque, quando nos cumprimentava, tomava a posição clássica dos boxeadores.  Por isso transformou-se, no presídio, em instrutor de ginástica.  Mas não foi só disso que participou.  Havia ali um jornal interno, editado e caligrafado à mão, num só número que corria de mão em mão, saindo sempre que era materialmente possível seus redatores – home se chama editores – eram Ermelindo Maffei, Clóvis Gusmão, Reginaldo de Carvalho e Hilário Correia, o poeta.  Maranhão nele escreveu um artigo demonstrando que o cangaço era uma consequência da equação em que um dos termos era aquilo que o camponês subconscientemente deseja e aquilo que o latifúndio impede-o de conseguir, procurando resolver o problema pela revolta.
Havia no Maria Zélia uma universidade pela direção do coletivo – coletivo é uma assembléia democrática que elege seus diretores como administradores.  Seus organizadores foram Roberto Silva, um corretor de café de Santos, Quirino Puca, verdadeiramente um sábio, Caio Prado Júnior, Ermelindo Maffei, Clóvis Gusmão e Reginaldo de Carvalho.  Era seu diretor Roberto Silva.  Com ela também aconteceu a escamoteação assoalhada pela claque de Paulo Emílio que propalou aquilo que ele dizia ter sido, o seu organizador.  Nela Djalma Maranhão, assessorado por Caio Prado Júnior, fez palestras sobre a sociologia do cangaço, fixando-se no problema camponês brasileiro.  Esse vezo de mascarar e ignorar os precurssores, não é só de Paulo Emílio;  é da esquerda e especialmente dos trotsquistas.  Assim na biografia de Pagu, uma figura apagada na prisão no Maria Zélia, e no Rio onde não foi sequer entrevistada por Graciliano Ramos, à página 261 está transcrito o necrológio dela por Geraldo Ferraz, o último dos homens com quem ela viveu que, presa em agosto de 1931 num comício comunista em Santos, tornara-se “a primeira mulher detida no Brasil em virtude da luta ideológica revolucionária”.  Como se qualquer luta revolucionária não fosse ideológica.  Quem não conhece a história, inventa.  Para citar só uma mulher antes que Pagu fosse a “primeira”, lembrarei uma das heroínas do tenentismo, Nuta Bartlett James que ficou presa dias seguidos, depois de detida em casa, dormindo, à noite, jogada num cubículo da Polícia Central em promiscuidade com taradas, viciadas, assassinas e prostitutas, segundo Maurício de Lacerda, à página 261, História de uma Covardia e também em Seara de Caim, de Rosalina Coelho de Lisboa, pág. 399 e em Memórias de um Revoltoso ou Legalista, de Carlos Avelino, pgs. 221/2.
Maranhão foi o organizador dos quadros de voleibol.  Quando se pensou na construção de um túnel para a evasão dos presos – note-se que o do Paraizo foi antes – Djalma Maranhão participou da comissão do seu planejamento.  Por sugestão dessa comissão coube a ele uma tarefa muito importante.  Promover um torneio de quadras de volei que se realizava todas as manhãs sob intensa algazarra dos quadros e torcidas, incitada por ele, para encobrir o ruido gerado pelo uso das ferramentas, o que só se fazia nesse período.  E quando ficou pronto, Djalma Maranhão participou da comissão que selecionou quais os que deveriam se evadir.  Muito pouco dos presos estavam ao par do túnel construído bastante sigilosamente.  A escolha recaiu sobre os militares e  dirigentes políticos mais diferenciados.  Especialmente os militares mais visados para os quais não se pensava em libertá-los, com culpa formada ou não.  O que, entretanto, não aconteceu com a aplicação da “macedada”.
A evazão fracassou e foram assassinados friamente e indefesos, depois de aprisionados Augusto Pinto, João Varlotta, José Constâncio Mendes e Naurício Maciel Mendes, cujo nome se grafava e se pronunciava como ene.  A polícia de choque, organização criada durante a interventoria do “constitucionalista” Armando Salles de Oliveira, especializada na luta antipopular foi a responsável.  Embora criada por um poder que se intitulava democrático fora moldada segundo as tropas de assalto nazista.  Nela se sobressaíam dois russos brancos, facinorosamente anti-esquerdistas, Gregório Kovalenke e Francisco Dulink que comandaram o trucidamento.  Eu e Maranhão atravessamos o túnel e quando atingimos o pátio do pavilhão contíguo que deveríamos percorrer – a fuga fora bem planejada, mas ignorando que seria realizado numa noite de lua cheia – antes de escalar o muro para adquirirmos a liberdade, verificando que seríamos cercados, pelo que retornamos para o presídio.  Dias depois nosso companheiro do 6º R.I., o cabo Adalberto Alves da Silva, natural de Palmares em Pernambuco onde sustentava sua família da qual era arrimo, desesperado por não o poder fazer repentista, cantador de emboladas, que vivia angustiado, alguns dias depois enlouqueceu, pois antes ficara reduzido a um trapo de gente, pois não suportara a idéia que não merecesse confiança dos planejadores, admitindo que não o haviam convidado para  a fuga supondo-o capaz de delação.  Maranhão sintetizou muito bem a situação ao dizer que ele enlouquecera por companheirismo
Pouco tempo depois fomos transferidos para a Delegacia de Ordem Política e Social, de onde saimos na noite de 9 de julho de 1937.  Maranhão liderou o grupo que não tinha para onde ir, dormiram ali e de manhã sairam.  Os potiguares organizaram-se em seguida numa república que se situou numa água-furtada de um prédio velho da Praça de Sé, e para se manterem, inclusive Djalma Maranhão, trabalharam em armazens, carregando sacos.  Vi-o, depois disso, pela última vez nos últimos anos 30, mantendo o mesmo entusiasmo antifacistas apesar das avassalantes vitórias das tropas hitleristas.  Trabalhava então numa agência de publicidade.
Foi esse o homem com quem convivi intensamente nos anos 30 e do qual orgulho-me de ter sido amigo.



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Eduardo Maffei                    Jair Siqueira Calçada




Carta do Dr. Juvenal Lamartine de Faria
a d. Marcolino Dantas

Natal, 31 de janeiro de 1936.

Exmo. Senhor D. Marcolino Dantas.
Para que V. Ex. não dê uma interpretação diferente ao meu gesto recusando-me a aceitar a sua visita, escrevo-lhe esta carta, que contem as razões do meu procedimento, expostas com a lealdade e a franqueza com que sempre agi, quer na minha vida privada quer na minha vida pública.
Durante os dias em que estive acamado fui confortado com a visita de inumeras pessoas, desde as mais ilustres às mais humildes desta terra.  A todos recebi com o mesmo carinho e gratidão.
V. Ex. porém, cavou entre V. Ex., aqui recebido por mim com as mais significativas demonstrações de apreço e respeito, e a minha pessoa, um abysmo intransponivel.  Exercendo uma funcção que o devia manter sempre superior a todos os partidos e paixões politicas, V. Ex. achou por bem desertar dessa posição privilegiada para se tornar o cortesão de todos os interventores, que passaram por este maltratado Rio Grande do Norte, até se solidarisar, acumpliciando-se, com o ultimo delles... esse monstro, que pretendeu dobrar a dignidade do povo de minha terra, praticando os mais hediondos crimes:  desde o espancamento de homens e sacerdotes respeitáveis até aos assassinios dos seus adversarios.
Aos autores materiaes da morte do meu querido filho, um sacerdote infame, a quem V. Ex. confiou, por espirito de baixa politicagem, a regencia de uma das mais importantes freguezias da diocese, offereceu a Egreja do Rosario da cidade do Caicó para servir-lhes de abrigo.  Isso foi feito se não com a autorização de V. Ex. pelo menos com a sua tolerancia, pois o sacerdote indigno la se ficou até o movimento de Novembro ultimo que aplaudiu, só então sendo transferido e isso mesmo para uma das melhores freguezias do litoral.  Pessoas insuspeitas do Caicó informaram-me que noite avançada os soldados assassinos levavam rameiras para o templo, que se transformara em “boite de nuit”.
Os sacerdotes que não quizeram se curvar ao suborno ou às ameaças do monstro interventor, V. Ex. perseguiu transferindo-os para as peiores e mais longiquas freguezias da diocese, concorrendo directa e deliberadamente para o desprestigio do nosso clero.
Para avaliar do conceito de que V. Ex. gosa entre nós, basta lembrar a anedocta que foi espalha e na qual muita gente acreditou;  de que V. Ex. mandara cumprimentar a junta comunista reunida na Villa Cincinato afim de levar-lhe o seu apoio, como já fizera a todos os governos que depois de 30 passaram pela administração deste Estado.
Se V. Ex. quizer experimentar até onde vae o seu desprestigio no Rio Grande do Norte, submetta a sua permanencia a frente da nossa diocese a um plebiscito, e verá que a maioria da população catholica, votará gostosamente, pelo afastamente de V. Ex.
Posso ter sido demasiadamente rude em fallar a V. Ex. com essa franqueza, mas o que lhe posso affirmar, sob minha palavra de honra, é que esse é o sentir de todos os homens de bem de minha terra.
Os meus antepassados foram velhos sertanejos que souberam transmitir aos seus descendentes a lealdade e o amor à familia, como um culto sagrado, como um verdadeiro dogma religioso, do qual não posso, não devo, nem quero apostatar.
Saudações.

Juvenal Lamartine.

N. A. : Foram vigários de Caicó – Luiz Teixeira de Araújo (1932 a 1935) e Luiz Gonzaga do Monte (1935 a 1936), segundo o livro “Caicó”, editado pela Fundação José Augusto, em 1982, p.73.