sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um pouco sobre biocombustíveis.

Titulo: A Segunda Geracao de Biocombustivos
 Carlos Paz de Araújo - cientista potiguar e professor na Universidade do Colorado/Estados Unidos.
Dizem que o século vinte foi o século da Microeletrônica e que o século vinte e um será o século da biotecnologia. No contexto atual, Biotecnologia esté se estratificando em várias subáreas como bioinformática, Engenharia Genética, Engenharia de Metabolismo e Biologia Sintética. Na realidade, podem-se chamar tudo isto de Engenharia de Sistemas Biológicos e Biologia Sintética. O campo é tão novo que há somente quatro anos atrás, a primeira conferência em Biologia Sintética ocorreu no MIT. Neste ano, a mesma conferência ocorreu em Hong Kong. A primeira revista científica - Synthetic  Biology - ainda nem teve o seu primeiro numero, apesar de que outras revistas já estejam no campo há algum tempo, por exemplo, Systems and Synthetic Biology.
Uma maneira de se entender isto é se pensar na revolução da biologia em três ou quatro fases: a primeira entre os anos sessenta e setenta, quando se iniciou a manipulação genética. A segunda fase constituiu-se da aplicação de manipulação para o estudo de genomas de várias plantas e animais, e sua aplicação em farmacologia e medicina (anos oitenta e noventa); e agora, estamos na terceira fase, a de criação ou sinterização de microorganismos completamente desenhados pelo homem. 
Se isto parece ficção científica, fique sabendo que não é. Na verdade, isto é o começo de uma revolução industrial de larga escala principalmente na criação de parques bioenergéticos no mundo inteiro com o potencial de inverter toda a produção de Hidrocarbono (petróleo) que são classificados como Combustíveis fossilizados (de origem milenar e de uso irreversível), para uma indústria de combustíveis sustentáveis, com um perimetro de carbono (carbon footprint) neutro ou até negativo (isto é, o carbono não é  mais poluidor, pois provém da biomassa natura que já está no meio ambiente).
Para o Brasil e os jovens brasileiros que procuram novas oportunidades de carreira, isto tudo pode ser uma grande oportunidade, ou praticamente o fim da vantagem que o Brasil tem na produção de bio-combustíveis. 
Com uma grande capacidade de produzir biomassa, especialmente seletivas em grande quantidade de açúcar e óleos vegetais, o Brasil tornou-se o campeão do Etanol - apesar de que na realidade, o Brasil não e o maior produtor de etanol. Mas, como utilizador de Etanol em transportes, o Brasil é o exemplo internacional da indústria sustentável de Biocombustíveis. Recentemente, com a introdução de várias avenidas para a produção de biodiesel (80% etanol+20% óleos vegetais ou animais), muito se fala de um grande avanço paralelo ao petróleo de conversão de biomassa para combustíveis numa escala nacional com intuito de se exportar seus derivados. 
Os dois maiores importadores de Petróleo, a China e os Estados Unidos somados com a Europa e o Japão seriam então os responsáveis por esta grande produção de biocombustíveis à medida que o petróleo (minado) vai desaparecendo do planeta. Daí, mais uma esperança para o Brasil, que, além de ser independente energético, também seria uma nova “Arábia Saudita dos bicombustíveis”. 
Mas a coisa não é tão simples assim. Com o advento da Biologia sintética é possível se fazer petróleo num tubo de ensaio, ou em escala, num bioreator. E isto já começou nos Estados Unidos por companhias como LS9 e Amyris, ambas na Califórnia ao redor do Vale do Silício - San José, Santa Clara, Paolo Alto e ate São Francisco, o Corredor da famosa Avenida Camiño Real, onde todos os grandes projetos de inovação nasceram.
Hoje o Vale do Silício é o centro de novas idéias para a solução energética dos EUA. Milhões de dólares estão sendo investido em energia solar (células-fotovoltaicas) e agora produção com base genética de biocombustíveis. 
No site da LS9, pode-se ver a foto de um cientista com um vidro de petróleo feito de um reator onde o açúcar da biomassa é digerido pela a bactéria mais famosa do estômago humano: a E. Coli. Esta é um bactéria muito conhecida pelos amantes da cerveja. Ela digere os carboidratos e açúares da cerveja e produz ácidos gordurosos que vão aumentando aquela "verdade inconveniente" chamada “barriguinha”.
Professor Liao, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, sintetizou a E.Coli geneticamente e fez com que ela "come-se" açúcar e defecasse Butanol - um combustível com conteúdo energético altíssimo e já saindo do bioreator destilado. Isto na realidade e na realidade ate melhor do que o petróleo, pois o mesmo contem muito conteúdo de baixo contento energético e daí precisa-se de caras destiladoras para se separar a gasolina.
O grande valor desta patente (o que vale no primeiro mundo e receber uma patente que da um monopólio de vinte anos na área) pertence a Universidade, e o laboratório do professor Lia e a vida dos seus estudantes de pós-graduação esta garantida. 
Mas, na realidade, com a síntese do Petróleo de uma maneira sustentável, simplesmente se diminui o valor da produção de bicombustíveis porque o país é rico em biomassa. Com estes resultados da Biologia Sintética, qualquer biomassa - madeira, lixo biológico, etc. - pode ser a fonte energética. Simplificando-se exageradamente, e só por água, grama e micróbios, como a E. Coli, têm-se biocombustível!! 
É claro que isto não diminui por total a euforia dos biocombustíveis convencionais, como temos no Brasil. Mas, preocupa. A Votorantim, super empresa Brasileira na área de plantação de cana-de-açúcar, tem um diretor no Conselho da Amyris e investiu pesado para isto. A Amyris trabalha numa escala abrangente no se que chama de "Combustíveis Desenhados" (designer fuels). Esta empresa já levantou 200 milhões de dólares e está pronta para ser uma grande empresa nesta área. A Votorantim está não só exportando a cana, mas talvez escutando a história e começando a pensar a fazer este processo no Brasil. 
No meu caso, como pesquisador e homem de negócio, eu optei por uma matriz um pouco diferente. Inicialmente eu procurei e achei plantas que nascem no deserto com alto teor de sacarose. Eu encontrei uma planta que não precisa de muita água e nasce no solo árido. Depois, eu entrei na pesquisa de utilizar não somente a E. Coli mas também uma série de organismos conhecidos como “fermentos” (yeasts). Os fermentos, cuja a diversidade é de mais de 1500 tipos, também podem ser "desenhados" para produzir álcool de qualquer biomassa. Com isto eu pensei em resolver o problema de não se utilizar terras consideradas boas para alimento e sim terras ditas como ruins para a produção do combustível.
 Quando eu vi que uma dessas plantas nasce perenialmente em 80 % dos EUA, percebi que com isto e a biologia sintética, os EUA vão ter uma enorme vantagem energética e virar a mesa na equação do Petróleo. Com a capacidade de se investir sem parar, o grande poder do know-how nas Universidades e Indústrias e o desejo de se libertar do Petróleo, que, além de poluir, os EUA só têm 3% das reservas e usam 25% da produção do mundo, a história vai mudar e muito.
Mas o Brasil, e mais precisamente o nosso Rio Grande do Norte? - Bom, chegou a hora de se estudar seriamente como utilizar as terras perdidas. O semi-árido como terras ricas em plantas como a que achei nos EUA possam produzir o "Petróleo da seca". Isto seria um sonho robusto de se ter. Melhor ainda se criarmos toda a indústria de Biologia sintética e fazer o combustível. Daí, lanço o desafio para os nossos governantes: vamos transformar o RN no centro Nacional de Biotecnologia de Combustíveis Desenhados? A hora de se planejar é agora. Não vamos mais uma vez passar batido por falta de informação e competência em se organizar e construir o futuro.

Zé Pará foi preso nos cafundós do judas (Mato Grosso do Sul).

» Polícia civil do RN localiza e prende estelionatário em MS
Publicação: 26/08/2011 12:19 Atualização: 26/08/2011 12:23
Da redação do Diário de Natal
 
 (Degepol/Divulgação)
O Trambiqueirão!
 
Este seria o famigerado comprador de gado de Nova Curz, Santo Antonio do Salto da Onça e Bom Jesus, no RN, que enganou dezenas de criadores de gado que vendiam em "consignação". Enrrolou deus e o mundo, na base do "vou ali e volta já com o dinheiro". Dizem que tinha vida de rico em Santo Antonio do Salto da Onça/RN e na região do Brejo da Paraíba. Tinha conta numa agência do BB em Santo Antonio. Nota do transcrevedor.
 
Um trabalho conjunto realizado em Políciais Civis do Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul resultou na prisão de um foragido da justiça potiguar identificado como Robson Fabiano Lopes de Araújo, de 38 anos, natural de Jucurutu-RN. Robson é acusações pela prática de homicídio, falsidade ideológica e estelionato. A policia conseguiu deter o acusado no último dia 17 de agosto, na cidade de Chapadão do Sul/MS. Com ele foram apreendidas quatro carteiras de identidade falsificadas.

A prisão ocorreu após um trabalho de investigação realizado pela Delegacia Especializada em Falsificações e Defraudações (DEFD) do RN, que durou cerca de um ano e meio. Robson é acusado de aplicar golpes em várias cidades do interior do estado, comercializando gado e veículos com documentação falsificada.

Contra Robson também havia um mandado de prisão expedido pela Justiça da Comarca de Jucurutu, no qual ele é acusado de um homicídio praticado nessa cidade, ocorrido em março de 1998, que vitimou o líder comunitário Augusto Francisco de Moura, na época com 48 anos.

De acordo com o chefe de investigações da Delegacia de Defraudações, Gilberto Fernando Maciel, ele fez mais de cem vítimas somente no estado causando um prejuízo estimado em torno de cinco milhões de reais e ele também aplicou o mesmo golpe em outras localidades do país.  

O preso confessou à polícia que aplicava diversos golpes com o uso de documentos falsificados em nomes de terceiros. Ele negociava gado da seguinte maneira: comprava o animal por um valor mais alto do que o de revenda, só que parte do dinheiro da compra era feito por ele com cheques sem fundos e depois revendia, sempre por dinheiro em espécie.

Ele também relatou que quando vinham cobranças acabava fugindo para outras cidades do país, onde aplicava novos golpes. O acusado chegou fez vítimas em cidades do Pará, Pernambuco, Ceará e Bahia.

Assalto na lotérica do posto Planalto.

ROUBO » Trio assalta Casa Lotérica e foge com R$ 1,8 mil na Zona Sul
Da redação do DIARIODENATAL.COM.BR

Por volta das 15h desta sexta-feira, três homens ainda não identificados assaltaram uma casa lotérica no posto Planalto, na BR-101 na altura do bairro de Candelária, Zona Sul.
 
De acordo com a polícia três homens chegaram em um veiculo tipo Corsa Sedan de cor prata e pararam em frente a lotérica. Em seguida dois homens desceram armados, um deles encapuzado e anunciaram o assalto.
 
Os assaltantes recolheram cerca de R$ 1,8 mil dos caixas e fugiram em disparada no veículo. A polícia foi acionada, mas não localizou os suspeitos.
 
 

Publicação: 26/08/2011 19:35 Atualização:

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Curso de Informática para moradores de Candelária.

Conselho de Candelária abre inscrições para cursos de Informáttica
Da redação do DIARIODENATAL.COM.BR

Estão abertas as inscrições para os cursos de Informática básica, oferecidos pelo Conacan (Conselho de Moradores de Candelária), em parceria com o Instituto Federal do RN (IFRN), Semtas (Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social) e Cabo Telecom.
 
A capacitação é voltada para pessoas a partir de 15 anos, e tem como objetivo qualificar a população para o mercado de trabalho. O processo segue até o final de agosto. Para se inscrever, os interessados devem procurar a secretaria da entidade, de segunda a sexta, das 08h às 12h, e das 14h às 18h. As aulas iniciam no dia 05 de setembro.
 
Ao todo, estão sendo ofertadas 150 vagas, distribuídas em 5 turmas, nas modalidades de Informática Básica 1, Informática Básica 2 e Informática Integral. As aulas serão ministradas no Centro de Inclusão Digital, na sede da associação, nos turnos matutino, vespertino e noturno. O curso dura em média de 1 a 2 meses, e ao final, os alunos recebem certificado de conclusão.
 
Para realizar a matrícula, é necessária a apresentação de comprovante de residência, documento de identificação com foto, e o pagamento de uma taxa única, que varia de R$ 20 a R$ 40, de acordo com a turma escolhida.
 
Segundo o presidente do Conacan, Victor Vieira do Vale, a inclusão digital é imprescindível na atualidade. Ele destaca que os cursos são voltados aos moradores de Candelária, e de outros bairros da capital.
 
“A sociedade atual vive na era da informação, e é preciso que nos adaptemos a este novo mundo. É com muito orgulho que o conselho contribui para que esta tecnologia esteja acessível a toda comunidade”, enfatiza.
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Publicação: 23/08/2011 19:56 Atualização:

Atenção políticos! Ajudem o POVÃO a ter computadores.

internet
Inclusão Digital

Banda larga do governo por R$ 35 começa hoje, sem desconto no modem

Por Redação do IDG Now!

Publicada em 23 de agosto de 2011 às 08h30
Atualizada em 23 de agosto de 2011 às 08h30

Moradores de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, são os primeiros a contratar o acesso à Internet oferecido pelo PNBL; equipamento custa R$ 300.

Começa hoje (23/8) a oferta do acesso à Internet em “alta velocidade” de 1 megabit por segundo a R$ 35 por mês, dentro do Plano Nacional de Banda Larga do governo federal.
Segundo a Agência Brasil, os moradores de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás (cidade com cerca de 60 mil habitantes), serão os primeiros a poder contratar o serviço.
Mas o acesso “popular” à Internet banda larga tem outros custos. Para ter acesso ao serviço, também é  preciso adquiri o modem, que custa quase 300 reais. Vale lembrar que, na semana passada, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que iria negociar a redução do custo do modem.

Porém, segundo o gerente de marketing da Sadnet, Evandro Sá de Menezes, empresa responsável pela implementação do serviço, ainda não houve um contato do ministério para tratar do assunto. Segundo ele,  é possível reduzir o valor do aparelho para até R$ 199, se o governo oferecer redução na carga tributária.

Outra opção em estudo é oferecer o equipamento em regime de comodato, quando o cliente só fica com o aparelho enquanto tiver contrato com a empresa.

Em setembro, a TIM também vai oferecer acesso à Internet  com velocidade de 1 Mbps a R$ 35 por mês, com os incentivos do PNBL

domingo, 21 de agosto de 2011

Dois anos depois da festa de reinauguração da Escola Industrial de Natal (foto), ex-alunos vão se reencontrar no clube dos petroleiros (CEI), situado na avenida Airton Senna, em Nova Parnamirim, no dia 17 de setembro, com uma festa animada pela banda de Ribamar, professor da ETFRN, a famosa "Flash Back", que apresentará um vasto repertório de músicas dos anos 60/70/80
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Laélio escreve sobre o maior poeta do Rio Grande do Norte.

A poesia oculta de Othoniel
Menezes 1

(in "OTHONIEL MENEZES - Obra reunida", em fase de impressão)

Celso da Silveira 2

Othoniel Menezes (1895-1969), cognominado “príncipe dos poetas norte-rio-grandenses”, autor de meia dúzia de livros de poemas, a maioria de sonetos, imortalizou-se, entretanto, pela canção que se popularizou com o nome de “Praieira” ou “Serenata do pescador”, musicada por Eduardo Medeiros, um músico autodidata que não ficou esquecido graças a essa “pérola do amor” que é o poema de Othoniel. Othoniel viveu uma vida nômade a partir de tenra idade, sendo vítima de infortúnios mais de que de aventuras. Menino, teve de se deslocar da terra natal para o sertão seridoense feito carga em lombo de animal, fazendo uma retirada ao inverso, num comboio de burros, quase imitando a fuga de Jesus para o Egito, para salvar-se. Sofrera, ainda no ventre materno, os efeitos da bexiga contraída por sua mãe na gravidez e foi acometido de varíola com menos de dois anos de idade.

Foi servidor público mal remunerado, carregou uma velhice de pobreza até o extremo de precisar da ajuda de amigos e do Lions Clube de Natal, quando residia, quase esquecido e doente, à rua Correia Teles, Cidade Alta, em Natal, onde nos idos da década de 1950, como repórter de A República, fui entrevistá-lo por conta da repercussão de suas necessidades para sobreviver, denunciadas na Assembléia Legislativa pelo então deputado Túlio Fernandes.3
Foi a partir desse momento que conheci o Othoniel Menezes amargurado, que fora amigo do meu pai – João Celso Filho4 – em Assu, quando ali esteve à frente da Mesa de Rendas Estaduais.

Othoniel contou, na entrevista, que o seu livro Sertão de espinho e de flor, premiado com a publicação por força de uma Lei Estadual5
há cerca de doze anos, só fora editado pelos esforços e boa vontade do diretor da Imprensa Oficial, e também poeta Antônio Pinto de Medeiros, mas censurava muito a qualidade do papel em que foi impresso – papel jornal.

Esse livro não deve passar sem uma reedição, porque constituiu a obra poética mais importante do autor potiguar. É um canto ao “sertão selvagem de Euclides”, como ele preconizou numa sextilha septissilábica no Canto I, um documento testemunhal de uma época no interior do estado nordestino, um trabalho de antropologia cultural, a descrição de costumes, práticas e comportamentos sertanejos, num Rio Grande do Norte primitivo e rude, palmilhado apenas por cascos de animais. Sertão de espinho e de flor, guardadas as devidas proporções e a geografia do espaço onde se desenrolam as cenas e situações enfocadas, eu diria que equivale à Ilíada e mesmo o situaria como nossa divina comédia.

Mas, não é o Othoniel Menezes do Jardim tropical (1923), da Canção de montanha (1955) e do Sertão de espinho e de flor, (1952) que trago para este registro de sua obra. Aqui desejo revelar um Othoniel ocultado, desconhecido, ignorado, insuspeitado, salvo revelar presença de espírito de João de Oliveira Fonseca (1917- 1989), seu colega, como funcionário da construção da Base Americana de Parnamirim e, como poeta, um assuense que voltou à terra natal para jamais abandoná-la até à morte. Aqui me refiro ao Othoniel Menezes fescenino, pornográfico, proibido, indiscreto, impublicável.

O poeta João Fonseca é autor da trova que anda nas antologias dos trovadores nacionais: “Amor é ver mordidura / de aranha caranguejeira / se não mata a criatura / aleija pra vida inteira”. A
esta trova Othoniel respondeu:

Diz Fonseca – A Terra inteira 6
não és Tu, Deus, quem governas!
É a aranha caranguejeira
que a mulher tem entre as pernas.

A verdade que isto encerra
nada tem de ímpia ou estranha
o Sol, que domina a terra
tem a forma de uma aranha!

Othoniel, cujo convívio tive o privilégio de privar, juntamente, ao de Jayme Wanderley (outro grande poeta esquecido, autor de Espinho de jurema, partícipe da turma de Jorge Fernandes e Cascudinho, em 1928), sempre se revelou uma pessoa sofrida, magoada, amargurada e descontente com a sua pobreza. Orgulhoso de sua obra poética, como ser humano não se dobrava a ninguém para pedir o que quer que fosse. Em sua passagem pela construção da Base, alguém observou que ele vestia uma camisa com o colarinho puído 7 e ele não demorou na condenação ao observador maledicente:

A camisa rota, oh corno
e tal qual só você viu
foi de uma foda no torno
com a puta que lhe pariu...

E segue:

Ninguém deve ser julgado
pela camisa que veste:
mesmo bem encadernado
sacana é coisa que preste?

Melhor é andar maltrapilho
viver-se do que se ganhe
do que, cafetão e não filho,
luxar com o suor da mãe...

Ouve agora a eterna lei:
todo de seda ou no enxurro,
um poeta é sempre um rei
– e um burro é sempre um burro!.

Na Base, em 1943, parece que Othoniel era apenas um burocrata encarregado de preencher as requisições de materiais solicitados pelos engenheiros ou mestres-de-obras. Nessa época era funcionário da Base, o jovem Gumercindo que, segundo informação de João Fonseca, era o próprio Gumercindo Saraiva,8 que se tornou pesquisador, escritor, musicista, folclorista, ensaísta, autodidata que pertenceu à Academia Norte-Rio-Grandense de Letras e faleceu tocando seu instrumento predileto – o violino (1915 - 1988), porque Gumercindo, como encarregado do depósito de material, espécie de almoxarife, às vezes fazia restrições aos pedidos preenchidos pelo poeta. Certa vez Othoniel foi cáustico com o outro:

Cagando mais do que come,
só tem um jeito você:
substituir, no seu nome,
a inicial por um “C”!

E esta outra quadrinha:

Se merda entrasse na obra,
Gumercindo, abrindo o tampo,
forneceria, com sobra,
cimento pra todo o Campo.

(16.02.43)

Dessa mesma fase há algumas quadrinhas em que o poeta fustiga,
causticamente, as figuras que não se enquadravam na sua empatia afetiva. Não há história a contar, mas as duas quadras que seguem fazem sentido por si mesmas, mostrando que o poeta não suportava os erros matemáticos do colega:

Beata velha xibiu,
cu velho birrento e arcaico,
em que compêndio é que viu
metro ao cubo de mosaico?

Pomboca não multiplica!
Fruta velha não dá goma!
Diga se foi com tal pica
que andou brochando esta soma!

Mas, a face maldita do poeta de “Praieira” não estancou aí. Parece
que ele estava com furor mórbido para condenar Deus e o Diabo na terra do Sol. No rol dos colegas, na Base de Parnamirim, só Fonseca foi poupado. Quem fizesse qualquer restrição, ou tecesse
comentário desairoso ao trabalho de Othoniel, sofria as conseqüências do seu tacape arrasador. Por esse mau pedaço passou um certo “censor”, sobre quem ele aconselha a assumir a mesma atitude de Apeles – não passar dos sapatos. Vejam só:

Suas funções não confunda,
dos seus tamancos não desça,
– você só pensa com a bunda,
só caga pela cabeça!

Pobre de quem o poeta não simpatizasse. Contra esses, ele usava sua verruma afiada, sem meias palavras, como um ditador absoluto usa seu poder exterminador:

A ensinar-lhe higiene, eu entro
com um conselho em que insisto:
abra o cu e escarre dentro
que ele só serve pra isto.

Aí está um outro Othoniel Menezes, “príncipe” da pornografia – uma poesia mal compreendida no RN, onde nem sempre a intelectualidade está informada de estudos muito sérios de autores responsáveis que pesquisaram poetas greco-romanos e latinos da antiguidade clássica, sem falar no poeta Manoel Maria Barbosa du Bocage, neles detectando palavrões da fala do povo, como “pica”, “corno”, “greta”, “puta”, “teta”, ou não leu em Eça de Queiroz a descrição de uma cena de minete, ou desconhece um poeta da seriedade de Carlos Drummond de Andrade, algumas vezes indicado para Prêmio Nobel de literatura, que tem um poema intitulado “A língua lambe”9, recentemente publicado no jornal “Folha de São Paulo”, em que faz a apologia da língua como instrumento sexual.

Como nota final, acrescento: Othoniel Menezes, Jayme Wanderley, Meira Pires10 e eu, todas as manhãs, a partir de 9 horas, em 1952, reuníamo-nos em torno de uma mesa do Tabuleiro da Baiana, à Praça Augusto Severo, servidos pelo garçom Fumaça, para cafezinhos e conversas. Eu estava com o livro de estréia no prelo da Tipografia Vilar, na atual rua Câmara Cascudo – 26 Poemas do Menino Grande11 – e ele me estimulou muito a escrever.

Visitou, com Jayme – que a gente chamava “Poetajeime” -, a tipografia para acompanhar a composição, impressão e confecção do livro.
Tanto ele quanto Jayme fumavam um cigarro atrás do outro, às vezes acendendo o novo cigarro com a ponta do que acabavam de fumar. Escondia suas privações, mas não podia esconder a amargura de não ter um lugar ao Sol e não ter sido contemplado com uma situação econômica que o livrasse das dificuldades financeiras porque passava.

Othoniel e Jayme tiveram suas musas inesquecíveis, cuja memória era sempre evocada por eles: Maria, de Othoniel, e Miriam, a primeira esposa de Jayme.

Notas (de Laélio Ferreira)

1 Matéria publicada no jornal O Poti edição do dia 27 de outubro de 1991, um domingo. OM, em casa, nunca proferiu uma palavra chula, obscena, pornofônica. Era exigente com os filhos, nesse aspecto. “Fresco” e/ou “veado”, na sua boca, no lar, não passava de “pederasta” – e olhe lá!

2 Celso Dantas da Silveira (Assu/RN, 25.10.1929/Natal-RN, 02.01.2005). Jornalista, professor, ator teatral, poeta, escritor, editor e boêmio. Escreveu ou organizou dezenas de livros. Seu maior sucesso editorial – considerado até os dias de hoje como o maior best-seller potiguar, com quatro edições (uma delas, a última, não autorizada pelos herdeiros) – foi Glosa glosarum, uma coletânea de glosas fesceninas por ele organizada. Celso, ainda que fosse um ótimo poeta moderno, não escrevia glosas (décimas). Era, sim, um construtor de motes deliciosos, provocando os glosadores. O “gordo Celso” – como lhe chamavam os amigos – era prodigioso causeur. Bebia bem e comia ainda melhor, alegre, amigo, brilhante. Foi casado com a inesquecível poetisa Myriam Coely de Araújo

3 Túlio Fernandes de Oliveira. Bacharel em Direito e político, filho do poeta e magistrado Sebastião Fernandes, sobrinho de Jorge Fernandes. Casado com a educadora e jornalista Chicuta Nolasco Fernandes. Foi deputado estadual em vários mandatos.

4 João Celso Filho morreu na Fazenda Limoeiro, de sua propriedade, em 14 de novembro de 1943, no Assu-RN. Advogado, professor, proprietário rural, dramaturgo, contista, orador e poeta. O edifício do Fórum, em Assu, tem o seu nome. Fazia glosas fesceninas.

5 Lei Estadual n. 145, de 1900, já citada.

6 João Fonseca, durante décadas, guardou os fesceninos do amigo, ciosamente. O autor destas notas os leu a primeira vez, em Assu, em 1957.

7 Publicada em vários jornais do Estado (RN), uma crônica do autor destas notas revela detalhes do acontecimento:

A CAMISA DO POETA

No tempo da guerra, muita gente se empregou em “Parnamirim Field”. Dentre esses pioneiros burocratas – recrutados, diziam, sob o olhar atento do pastor batista doutor Mateus, tido como coronel da inteligência da USAF –, estavam Othoniel Menezes, o poeta da “Praieira”; “seu” Galvão pai do professor Cláudio Galvão – este, escritor e pesquisador; Deoclécio Sérgio de Bulhões, homeopata, homem boníssimo e caridoso que mais tarde seria vereador em Natal, por muitas legislaturas; Agenor Ribeiro, depois empresário; Rômulo “Minha gata” que, deixando Parnamirim, foi para o Banco do Brasil; Emanuel Rivadávia, também, posteriormente, servidor do BB, no México e nos Estados Unidos. Fluente em inglês, traduziu e leu para o general Eisenhower, em 1945, um discurso escrito por Othoniel, saudando o futuro presidente dos Estados Unidos, em nome do pessoal civil da Base.

Misturando-se a essa boa gente, para lá também acorreram alguns “artistas” do Grande Ponto, filhinhos de papai, arranhando inglês, charlando, dançando fox no Aero, bodando na praça Pedro Velho. Na sopa (ônibus), guiada por “Charuto”, negão forte e valente, embarcava o pessoal na Pracinha (“Pedro Velho”, hoje “Cívica”) e embiocava na “Parnamirim Road”, a “Pista”. Fazia pit stop no portão da Base, ia em frente e deixava os “porcos” no Post of Engineers.

“Porco”, era o apelido dado aos funcionários subalternos, operários, que viajavam nas carrocerias dos caminhões – alcunha que depois se generalizou. De Natal à Base, no ônibus, não viajando criança ou mulher – o que era raro – a esculhambação era grossa. Vida alheia, anedotas cabeludas, acenos para as peniqueiras no trajeto, algazarra, esbórnia total.

Othoniel Menezes, arredio, desconfiado, da raça irritável dos poetas, como afirmava Virgílio, somente com os mais íntimos trocava piadas. Era sofrido, pobre – mas, altivo, culto e probo. Jornalista de renome, secretário do jornal A República, amigo de Café Filho, socialista, admirador de Luiz Carlos Prestes, escrevera em 1935, praticamente sozinho, o jornal A Liberdade. Tachado de “comunista”, passou quase três anos na cadeia.

Em Parnamirim, não ligava para o apelido de “Ipecacuanha” (tinha mania por chá caseiro!). Deu o troco ao autor da proeza, o colega Deoclécio Bulhões, caridoso esoterista e homeopata, que tinha uma imponente trunfa: sapecou-lhe a alcunha de “Professor Bendengó”!

Prudente, o vate guardava distância dos “artistas” do Grande Ponto, alguns deles, até, filhos de amigos e parentes. O diabo, porém, atenta! Quando não dá o ar da graça, de corpo presente, manda um secretário. Um belo dia, na rebarba de uma daquelas algazarras, do fundo do coletivo, ouviu, clara e maliciosa, a acaçapante e maldosa agressão: “Othoniel, poeta da camisa rasgada!”

Vilipendiado, trêmulo, em cima da bucha, levantou-se e partiu pra briga. Era homem de coragem comprovada. Não conseguiu chegar à patota. Os amigos não deixaram. A cotiada camisa que vestia, cerzida e passada, engomada, pelas mãos da sua Maria, era tão-só o espelho da sua pobreza respeitável e resignada.

Não lhe pisassem! Não conseguiu identificar o autor da agressão gratuita. Nunca soube quem foi, nunca lhe disseram. Minutos depois, já no Post of Engineers, ainda pálido, calado, à vista dos companheiros solidários, sentou-se à mesa e, a manuscrito, em letras garrafais, numa folha de cartolina made in USA – depois afixada no Quadro de Avisos – fulminou o gaiato:

A camisa rota, oh corno,
e tal qual só você viu,
foi de uma foda no torno
com a puta que lhe pariu!

“Ipecacuanha”, então, esboçou um acanhado sorriso para o futuro vereador – o “Professor Bendengó” – e encerrou, para sempre, “o assunto”.

8 João Fonseca e Celso da Silveira enganaram-se. O “alvo” de OM não era, à época, o futuro escritor e musicólogo. O Gumercindo era outro, sujeito muito gordo e avermelhado, chefe dos bombeiros (encanadores) do Posto de Engenharia da Base Aérea.

9 O poema de Drummond: “A língua lambe as pétalas vermelhas/ da rosa pluriaberta; a língua lavra/ certo oculto botão, e vai tecendo/ lépidas variações de leves ritmos./E lambe, lambilonga, lambilenta,/E lambe, lambilonga, lambilenta,/a licorina gruta cabeluda,/ e quando mais lambente, mais ativa,/ atinge o céu do céu, entre gemidos,/ entre gemidos, balidos e rugidos/ de leões na floresta, enfurecidos”.

10 Inácio Meira Pires (Ceará-Mirim/RN, 15.03.1928-Natal/RN, 18.11.1982). Ator e teatrólogo. Diretor, por longos anos, do então Teatro Carlos Gomes, em Natal. Mudou o nome da casa de espetáculos para Teatro Alberto Maranhão. Participou do Conselho de Cultura do Estado e da Academia de Letras. Por breve tempo, chegou a ser diretor do Serviço Nacional de Teatro.

11 Publicado em 1952, com impressão da Tipografia Vilar, Natal.

sábado, 20 de agosto de 2011

Um pouco do "Triângulo das Fofocas' , digo "Triângulo dos Bares".

César Cabral, Cunha, "brigadeiro do ar" de Candelária e Manoel Neco e a sua cabeleira "avant garde". Foto de João Barbosa, o homem que bate fotos de costas em cima de motocicletas a 140 Kms/hora.



Candelária  tem  boêmios
 que gostam de poesia.
Luiz Gonzaga Cortez

No bairro de Candelária, zona sul de Natal, há dezenas de bares e botecos, lanchonetes e mercearias para todos os gostos e preferências dos seus moradores. Intensa vida noturna. Diversos boêmios e tipos folclóricos gravitam e/ou curtem o conjunto construído em 1975. Há bares que funcionam em antigas casas, perto de pracinhas e fundos de quintais, outros localizam-se na principal avenida da capital, a Prudente de Morais, que fecham as portas quando se retira o último freguês. Existem bares apropriados para uma conversa amena, troca de idéias e realização de negócios, assim como há locais onde o barulho impera por causa das possantes caixas de som que poluem o ambiente.
O bar da zoada, como é mais conhecido um dos locais mais populares entre os apreciadores de cervejas e cachaças, tem barulho, mas se conversa numa boa. A zoada é proveniente da gritaria peculiar a alguns boêmios seridoenses. Fica no chamado “triângulo das bermudas”, numa área que compreende a Avenida da Integração, Prudente de Morais e ruas Raposo Câmara e Cruz e Souza. Há outros “triângulos” etílicos no bairro, mas o Bar de Nequinho é conhecido pelos “altos decibéis” do vozerio dos caicoenses que baixam ali. No “triângulo das bermudas” estão o Bar de Nequinho, de “seo” Chico, de Niel (Bar São Tomé), Bar da Tesoura, Bar de Lopes, Bar da Saideira, da expulsadeira, do violão e outros mais, além dos churrasquinhos. Como em quase todos os bares, ali também tem mentirosos e boateiros, fofoqueiros contumazes.  Mas tem figuras meio excêntricas, como o capitão de longo curso conhecido Sr. Guedes. Mas não é que o homem  gostaria de ser um ”vampiro”, dormir em cemitérios! Mas isso é outra história.
Como qualquer bar brasileiro, as conversas giram sobre todos os assuntos e problemas possíveis e imaginários, os temas abordados podem mudar em questão de segundos e as fofocas sobre a vida alheia, política e futebol dominam as preferências. Não escapa ninguém. Os boateiros inveterados gostam de falar de quem está grávida (sem estar), de quem está fumando maconha ou traficando (sem procedências), de quem faliu, dos cornos, dos papudinhos em geral e dos que estão devendo nos bares. Assim como começa, essas conversas terminam sem nenhuma conclusão, sem brigas. Tudo numa boa, às vezes.
O conhecido bar do barulho cordial, o de Nequinho, se fala alto os principais temas do noticiário do dia. Quem está fora do fuzuê verbal, à primeira vista, pensa que o pau vai baixar, mas o dono, Nequinho, fica olhando e rindo. “È assim mesmo, já estou acostumado”, costuma dizer.
Não podemos esquecer dos cordelistas, poetas e contadores de histórias de vários matizes. Antonio Morais da Silva, quase nonagenário, natural de Caicó, freqüenta o Bar da Tesoura (nome já diz tudo) e Antonio Severino Filho, paraibano, baixa no Bar de Chiquinho. O contador de histórias fantásticas Hermany Dantas, Toinho das Bolsas e Cadinha são figuras do pedaço. Cadinha, vixe Maria, também merece uma crônica. Depois eu conto. E a “Besta Fera”? Essa é a carinhosa alcunha de Zimar Martins Paiva, formado em aquacultura pela nossa UFRN, capaz de discorrer sobre todas as espécimes marinhas e a vida no sertão do Oeste potiguar. Já foi mordido por um jumento que quase arrancava um braço.
Antonio Severino quando está inspirado, sai do trivial. Indagado sobre quem era, ele respondeu: “Sou uma pessoa que adora uma caninha/para saciar os meus desejos/ seja Pitu, Carangueja/Cinqüenta e Um ou Rocinha/Começo de manhãzinha/vou até ao entardecer/bebendo para esquecer/sem nenhuma alacridade/durmo e sonho com a eternidade/mas sem pensar em morrer”. “Muito bem, poeta! Tome cinco”, grita um parceiro de birita. Um detalhe: Antonio repete muito, nos seus versos improvisados, o nome do planeta Saturno.
No bar da Tesoura, a clientela é da 3ª idade, mas se joga baralho, se ouve Hortêncio Nóbrega cantar e tocar violão. Os caicoenses gostam muito de futebol. Antonio Morais da Silva fez uma trova envolvendo um jogo entre o Caicó Esporte Clube e o Atlético Clube Corinthians, intitulada A Raposa e o Galo. O mote: A raposa comeu o galo sem tirar nenhuma pena. Glosa: Pegamos pelo gargalo/em pleno Avelinão/ sem dó e sem compaixão/ a raposa comeu o galo./Aproveitando o embalo/naquela tarde serena/com tranqüilidade plena/já no começo do ano/o galo entrou pelo cano/sem tirar nenhuma pena”.
Candelária tem outros versejadores, como Sr. Massena, Bonifácio Soares (está no “estaleiro”, isto é, em tratamento de saúde), José Saldanha (recentemente falecido), André Batista, José Rego e Manuel Azevedo Bezerra, vulgo Mané da Retreta, autor do “Cordel da Cachaça”, um misto de professor, músico e poeta, natural de Santana do Matos/RN.
Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador.

Roubos e assaltos.

Circulam informações de assaltos à mão armada em Candelária. Houve três nesta semana, na frente de residências situadas nas imediações do Conselho de Moradores de Candelária, na rua Frei Henrique de Coimbra. Houve uma invasão de domicílio na rua Trajano Murta, segundo um morador informou na manhã de hoje, na casa em que morou "João Filho". O caso ainda merece investigação aprofundada. O que motivou aq suposta invasão ainda não é conhecido.Há 15 dias, na rua engenheiro José Rocha, o agronomo Reinaldo, da Emparn, teve o carro tomado de assaltos por dois jovens armados, por volta das 11hy30m. Nem a feira eles deixaram Reinaldo tirar da mala do carro, de propriedade da Emparn, segurado e equipado com GPS. O carro foi abandonado na rua capitão Mor Gouveia, com o corte programado de combustível.
Os moradores tem que se prevenir, diuturnamente, para serem vítimas dos covardes marginais que iunfestam Natal. E se preparem: vão chegar mais assaltantes nos dias que antecedem o Carnatal, a exemplo de anos anteriores.
E Candelária será alvo dos bandidos novamente. Lembrem-se que a CBN anunciou na tarde de ontem que a Destaque vai colocar os camarotes na avenida Prudente de Morais, na altura do Cartodromo, onde as patricinhas e mauricinhos vão rebolar os esqueletos para os Jurados. Os blocos descerão na avenida no sentido Candelária/Centro, a partir da mesma avenida.E então, o que acontecerá?  Os blocos, as carretas e toda a parafernália acústica/poluidora ficarão estacionados no centro de Candelária antes de se destinarem ao "corredor da folia". Esta informação foi divulgada na tarde de ontem.
Vai ser uma esculhambação!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Via Direta, o chopingue popular de Natal, será demolido?

È o que se pergunta em alguns setores da província de Natal, cuja população, dividida, vai assistir, brevemente, as demolições de dois estádios esportivos, o Machadão e o Machadinho, ao lado do Centro Administrativo do Estado.
Agora estão circulando rumores sobre a próxima grande demolição:  o popular centro comercial "Via Direta" , situado entre o bairro de Mirassol e o Campus da Universidade Federal, na chamada zona sul de Natal. O imóvel está à venda, segundo me informou um executivo de vendas de uma grande imobiliária de Natal. Os proprietários pediram avaliações do imóvel e autorizaram a venda sem exclusividade. O preço não foi informado. Nem vão informar para a imprensa. Sigilo comercial. Creio que,caso ocorra a transação, ninguém saberá o seu valor final. Uma coisa está certa: o comprador será o que oferecer mais, seja brasileiro ou estrangeiro. E mais: quem comprar vai construir um edifício residencial. Anotem nos seus caderninhos.
O Via Direta foi construído há mais de 20 anos e a possibilidade de venda já foi divulgada várias vêzes, em passado recente, mas agora é "vero", disse o corretor imobiliária, acrescentando, ainda, que se aparecer compradores, todos se reunirão para as negociações. A reunião será próxima do "Machadão"? È possível.

Enquanto falta tudo para educação, saúde e segurança, haja dinheiro para futebol....

A PROVA DA FARSA



Ao tomar ciência das últimas notícias sobre os procedimentos para a construção da “Arena das Dunas” e conhecer alguns dados alarmantes, inevitavelmente entrei em depressão. Não pelo fato da possível demolição do Machadão e o restante do complexo de prédios, pois nada material é eterno, mas pelo descaramento de um lado e a omissão de outro sobre as farsas que estão sendo perpetradas contra o povo do nosso Estado.

Há alguns dias publiquei artigo sobre o "Início da Farsa", quando resolveram demolir a Creche Kátia Garcia e não colocaram outra em seu lugar, a teor das reclamações dos pais ventiladas na imprensa.

Mas agora, para a análise e meditação dos cidadãos e dos defensores da fúria demolitória, estou anexando os extratos dos contratos celebrados e publicados no DOE do dia 22/6: um de R$ 12.670.000,00 para serviços dos projetos complementares para a Arena das Dunas; o outro, no valor de R$ R$ 14.885,450,00 para elaboração do projeto arquitetônico e documentação para o novo Estádio Arena das Dunas. Observe-se, quem assinou os contratos foi o Sr. Armando José e Silva, porque o Fernando Fernandes está na sede da Copa de 2010.

Mas não tinha sido paga uma boa quantia para um mirabolante projeto apresentado por Fernando Fernandes e difundido até hoje, com juramento que era o tal projeto?

A verdade é que nunca houve projeto nenhum, mas o dinheiro foi pago e TUDO COM INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO, com parecer da Procuradoria do Estado, que agora quer incorporar a Consultoria Geral. 

Este fato precisa de explicações convincentes e urgentes e para isso devem ser convocados o Tribunal de Contas, o Ministério Público, a Assembléia Legislativa do Estado, a Câmara Municipal, o CREA e demais órgãos que tenham interesse na moralidade pública.

Como anda o processo de tombamento? Como se posicionou a Controladoria Geral do Estado?

Ao dizer isso quero lembrar que quando fui o seu titular passei por momentos difíceis e tive a coragem de sustar os registros dos processos de pagamentos enquanto não se cobrisse a dotação para pagamento dos servidores públicos; sustei a venda, através de “leilão”, de grande área de terreno pertencente ao DER. Jamais tive medo de ser exonerado e não o fui, porque tive a coragem de advertir os meus superiores para as coisas erradas e ser por eles ouvido. Nunca pequei por omissão.

Mas hoje já não sou nada, pois não ocupo nenhum cargo público, não tenho dinheiro e não sou capaz de fazer mal a ninguém, daí não ser mais registrado em nada e até já fui excluído dos compêndios das figuras ilustres da sociedade e já não recebo muitos convites para eventos oficiais. Aliás, quero mesmo que não me convidem, pois não suporto os cínicos e bajuladores.

  Contudo, é do meu destino não ficar calado e estarei presente, mesmo que várias e graves enfermidades me sejam companheiras nos tempos atuais. Enquanto tiver um sopro de vida participarei dos debates em favor do povo da minha terra e combaterei os ‘fichas sujas’ através de artigos que envio para a imprensa e nem todos são publicados e agora através do meu ‘blog’ http://mirandagomes.zip.net <http://mirandagomes.zip.net/>  ou cara a cara nos encontros fortuitos ou programados nas livrarias, sebos, plenários, audiências públicas.

Quero a ajuda dos meus amigos para me aconselharem para não cometer excessos, através das dezenas de e-mails que recebo, graças a Deus. Estou vivo, lúcido, ainda que sem saúde plena.

Nem mesmo sei se valeria essa briga toda contra a demolição absurda do Machadão, em detrimento de tantas obras estruturantes indispensáveis para melhorar a qualidade de vida do nosso povo, pois não tenho a certeza de estar neste mundo na Copa de 2014.

De qualquer forma, estimarei ouvir o clamor do povo e a providência das autoridades.

Se isso não vier, gostaria que a implosão do velho Machadão, também alcance certos órgãos públicos que não funcionam e com quem estiver dentro deles.

De antemão confesso-me INDIGNADO e inteiramente CÉTICO com as coisas deste País e, particularmente, do Rio Grande do Norte e da cidade do Natal.

Com extrema tristeza, mas com o respeito de Carlos Gomes.